Agora nem nómada, nem emigrante.


sexta-feira, novembro 30, 2012

Esticar

Que contracenso! Pensei que fossem dois corações, mas afinal era só um. Mudava a cor, a perspetiva... e ficava-me assim, sem dormir. Digo a toda a gente que não consigo. É uma verdade meio caducada, pois o motivo alterou-se. Gerou-se uma ansiedade... a música vibra-me.

Eli

:)

Existes

É difícil explicar um quadro de algo que se adivinha fofo. Como já detestei esta palavra, irritando-me até sempre que a ouvia. Agora até a uso, embora não faça grandes descriminações. Por um lado, ainda bem. Sinal que evoluí. Como é bom sonhar assim em branco quando se prefere sempre o preto!... Como é bom sentir a beleza da naturalidade. Como é bom acreditar. Gosto de sentir. As noites estão diferentes.

Eli

:)


P.S. Mudei o tipo de letra.

quinta-feira, novembro 22, 2012

Tribunal dos Nadas




- Eu não sei fazer mais nada.
- Como?!
- A única coisa que sempre fiz foi tratar dos meus filhos.
Tinha vinte e sete anos. Um número ímpar que lhe dizia tanto como uma vida inteira que se resumia a um Curriculum Vitae de frustração. Nem uma oportunidade. Susana saiu de mais uma entrevista de emprego, que lhe tinham arranjada, sem esperança nenhuma. Desceu pelas escadas, sentindo aquele cheiro estranho a velho entranhado nas paredes. Não aguentaria três andares num elevador com dois metros quadrados. Abeirou-se da estrada, sentou-se no passeio. Imaginou o resto da sua vida como uma inexistência plena de nada.
Vivera na capital. Arredores, num cubículo arranjado pelo homem que tomou conta dela. Como não tinha família e conhecera aquele homem aparentemente seguro de si e do seu interesse, ela apaixonou-se. Mais velho trinta anos, coisa que nem imaginou ser importante. Tendo ela vinte anos na altura que o conheceu, suspirou num porto seguro que a protegesse, sonhou que a amasse, a fizesse feliz e assim constituiriam família.
Assim foi. Susana engravidou algum tempo depois de começar um relacionamento com ele. Foi uma felicidade verdadeira. Ele sustentava-a. Entretanto, ela conseguira encontrar um trabalho a lavar e limpar as zonas partilhadas de um prédio: escadas, sótão, sala de reuniões, elevador, etc.
Quando teve o filho, deixou de trabalhar, dedicando-se exclusivamente ao menino. Chamou-lhe Simão. O pai do rapaz aparecia cada vez menos, desculpando-se sempre com o trabalho. Um dia, estando ela já tão estoirada por não conseguir dormir, pois o miúdo não lhe dava uma noite descansada, pressionou aquele a quem chamava de marido, um companheiro meio ausente meio presente e perguntou-lhe, encarando-o:
- Tens outra?
Ele baixou a cabeça. Não disse nada. Sentou-se na beira da cama. Ela abanou-o compulsivamente.
Então, ele resolveu contar-lhe:
- Sempre tive outra família, mas quando te conheci não consegui resistir aos teus encantos.
Susana chorava compulsivamente. Simão berrava no berço. O seu pai pegou nele ao colo, beijou-o, colocou-lhe a chupeta e ele acalmou. O som do silêncio também ajudou Susana a raciocinar.
- Quando esperavas dizer-me?
- Não sei. Quando engravidaste, pensei em dizer-te logo, mas depois, estavas… estávamos tão felizes, que não queria acabar com esta emoção.
- Tens outra família mesmo?
- Tenho.
Receando perder a (in)dependência, acabou por aceitar viver assim desde que ele nunca lhe falasse da outra família. Viveria assim na ilusão de felicidade, embora, na ausência dele, chorasse incessantemente em silêncio.
Teve mais duas filhas.
Cinco anos depois, tendo ela vinte e cinco anos, ele faleceu. Ficou viúva sem alguma vez ter casado como o seu sonho de infância. Ficou viúva sem ter tido um marido. Ficou viúva e não poderia recorrer a nada, sem herdar nada.
Sem dinheiro para a renda e não tendo como sustentar três crianças, foi levada para um lar no Norte do país. Um lar onde acolhiam mães com as suas crias e ajudavam-nas a sobreviver.
Na verdade, ela sentiu-se bem naquele espaço asseado e acolhedor. Pensava muito no conforto que os seus filhos tinham ali, senão estariam na rua a apanhar frio.
Matriculou-os num Jardim de infância IPSS que trabalhava em concordância com o Lar onde residia, assim como o orfanato das crianças, tendo assim todas as condições para ir procurar trabalho. O Simão já tinha quase cinco anos.
Viviam na grande cidade do Porto.
A relação da Susana com as Educadoras de Infância era muito saudável e positiva, pois Susana estava sempre preocupada com o bem-estar das crianças.
Tinha uma excelente relação com os seus filhos. Havia muito carinho naquela família. Eram muito afáveis.
Susana passava o dia a procurar emprego. Ela não se importaria de fazer o que quer que fosse, pois tinha-lhe sido dito que a sua estadia no lar era temporária. Então, teria que arranjar uma casa urgentemente e um emprego para sustentar todas as despesas.
Susana procurava emprego, qualquer trabalho incansavelmente. Todos os dias à noite, chorava devido aos calos nos pés por tanto percorrer a cidade a pé, mas principalmente por não ter saída.
Contou a sua história à Educadora de Infância do seu filho mais velho, que a informou que o seu filho iria para a escola (1º Ciclo – Ensino Básico), pois estava quase com seis anos. Recearam ambas pelo futuro de uma criança que tinha tantas capacidades, mas que estava em risco. Os mais pequenos nem se apercebiam da realidade. O menino lia os olhares das suas referências.
Alguns meses depois, a Susana já tinha arranjado casa para alugar com o dinheiro de algumas horas que conseguiu a trabalhar na limpeza de casas de particulares. Estava mais animada. Ainda tinha um longo caminho a percorrer, mas o risco de ser expulsa do Lar já seria menor. A situação parecia controlar-se com ajuda exterior para alimentação.
Preparava-se para se mudar. Não tinha emprego.
Estando já o Simão na escola, orgulhosamente no primeiro ano, a aprender a desenhar as vogais, a lê-las e a cantar os ditongos, a correr e a brincar com os colegas, aconteceu o que mais se temera.
Susana foi chamada a tribunal para ser informada de que os filhos lhe seriam retirados e, nesse mesmo dia, ela deveria deixar o Lar, pois era só destinado a mães com filhos.
Foi a polícia primeiro buscar o Simão à escola, sem lhe explicar nada. A única reação do menino foi chorar sem saber o que lhe estava a acontecer. Seguidamente, foram ao Jardim de Infância buscar as duas meninas. Quando ele as viu, acalmou-se, mas ficou sem saber entender. Foram levados para um orfanato em S. João da Madeira, quando no Porto havia muitos e ficariam mais próximos da mãe. Susana nem teve tempo de se despedir. Quando chegou à escola e ao Jardim para se despedir, eles já tinham sido levados.
Recolheram os poucos pertences daquela mãe em sacos de plástico. Não teve direito nem a mais uma única dormida sequer.
Mas, o tribunal assim decidiu. As únicas referências que aquelas crianças tinham eram as pessoas da escola, a mãe e do lugar onde viviam. Foi-se-lhes retirado tudo.
Imagino que o Simão não deve ter cantado mais os ditongos durante muito tempo.
Só imagino, pois não sabemos mesmo o que lhes aconteceu.
Parece-me que aquela mãe, não tendo ninguém no Porto… acredito que deve ter sido acolhida por uma ponte qualquer…

(Baseado em factos reais.)

Eli Rodrigues

quarta-feira, novembro 21, 2012

Atrás

 
Engulo em seco depois de não respirar em exercícios conjuntos. Para quê aguentar num treino de experiências que não nos leva a lado nenhum?! Não corro. Os sons parecem reconhecer-me a mente e ficam a sentir-me por instantes, num processo de reconhecimento para que as palavras sejam tão minhas quão gostaria que fossem. Páro. Encontro uma dança de guitarras com maiúsculas desaparecidas. Como eu precisava de uma verdade. Os sonhos cansaram-se de mim. Gastei-os a todos, confesso. Admito que ainda olho para trás, mas é só para ter a certeza que existiu, mesmo que seja um grito de quase três vezes. Olho lá bem fundo no passado, enquanto uma música me lembra a imaginação. Vejo Um e Outro Homem  e Outro e Outro. Apaixonaram-se por mim...

Eli

quarta-feira, novembro 14, 2012

Profunda

Assim de um modo atabalhoado, já era tarde... e eu tinha simplesmente cozido umas pêras pela primeira vez. Sentei-me no sofá a saborear uma parte delas, colher na mão, pensamentos na outra e foi então que um amigo me ligou e fiquei perdida entre pensamentos vazios e sonhos pouco conseguidos. Mais tarde retornei e expus-me. Lembro-me sempre daquela parte do filme em que o Seth imagina o sabor da pêra através de uma descrição doce. Fez-se clique. As pêras que ele recolheu no cesto depois de a perder para os outros anjos, em grande velocidade, fizeram com aquela parte da perda se atenuasse. E eu pergunto-me: alguma vez serei profunda na realidade?! Sei que quando for, deixar-me-ei para trás para que um nós se faça num clique, num sabor.

Eli

terça-feira, novembro 13, 2012

Jantares de Natal

Sejam ou não blogueiros, sejam ou não chegados a comemorações natalícias, lembrem-se que podem contar com a minha companhia e a de mais algumas pessoas bem simpáticas! Falo por experiência!

Estou a pensar ir também ao Jantar de Natal no Norte, que será dia 8 de dezembro. Para isso, precisarei de contar com a vossa companhia. Alguém?!

Se queres participar no Jantar de Natal em Lisboa (dia 1 de dezembro), envia a tua

pré-inscrição, para:




Se queres participar no Jantar de Natal no Norte (dia 8 de dezembro), envia a tua

pré-inscrição, para:




Em ambas as pré-inscrições deves enviar, o teu email, o nome de blog e

o teu nome de blogger. Se não tiverem blogue, também podem ir! :)


Se se inscreverem, avisem-me.
(Ainda não me inscrevi no Jantar do Norte.)


Para mim, isto é mais um motivo para juntar e/ou conhecer pessoas simpáticas, alegres, divertidas!

:)

Eli



Cumplicidade


Eu gostava de aparecer simplesmente como se isso fosse normal há já muito tempo. Que não temesse a minha poesia. Que me quisesse profunda, normal ou simplesmente quieta. Quando a anormalidade assiste a nossa vida mais vezes do que o previsível, acabamos por deixar os sonhos mais comuns e mais saborosos para trás, defendendo-nos da sociedade com um compromisso de independência. Parece que nunca mais serei a mesma, aquela que naturalmente é e só por ser, imagina um pedaço de proteção, carinho e cuidado de alguém extremamente especial. São coisas vagas, são participações pouco plenas, mas subir a fasquia parece cantar e eu não tenho voz.

Eli

segunda-feira, novembro 12, 2012

Dos Desaparecimentos






Lembro-me da promessa. Não era uma promessa qualquer. Era um convite. Uma viagem até ali bem perto, até ele. Carregou com o meu olhar durante uma noite inteira, até que lhe perguntei sobre ela...

... ao que ele respondeu:

- Nem sei se te leve até lá, porque podemos deixar de ser amigos. Eu não quero perder a tua amizade.

E eu voltei a questioná-la:

- E a promessa?

- Isso que disse foi num jogo de palavras, pensei que tivesses percebido.

- Então, significa que eu sonhei com um momento contigo e apenas choveram pétalas no teu colo?

- Como? Explica-te. Nunca te percebo quando falas assim.

- Se eu tenho que explicar tudo, tu não deverias ter prometido aquele lugar cómodo.


Entretanto, desapareceu. Nunca mais me disse nada.

Detesto promessas.




Eli



Jantar de Natal de Blogueiros em Lisboa (dia 1)

Parece que ultimamente só encontro excelentes iniciativas cada vez que me passeio pela blogoesfera!!!

Então, desta feita, resolvi aderir à iniciativa de um jantar em Lisboa, no dia 1 de dezembro. Já me inscrevi, mas preciso da vossa companhia! Qual de vocês, leitor(a) deste blogue me quer acompanhar ao Jantar?! :)


AQUI NESTE POST têm os contatos para se inscreverem até dia 15 de novembro!!!


Podem responder-me aqui na caixa dos comentários ou para o mail rodrigues1981@gmail.com .



Eli


quarta-feira, novembro 07, 2012

Adormecer

Já falei deste projeto no meu outro blogue, mas creio que faz todo o sentido sonhar aqui também. Quem gosta de histórias - dizem que são infantis, mas são intemporais - pode visitar o site Adormecer que para mais é escrito por um autor, cuja escrita admiro muito.

Em todos os lugares, há espaço para sonhar. Se eu adormecer e sonhar, quem contará a minha história?!

Eli

:)

Coletânea "Beijos de Bicos"


A Pastelaria Studios Editora está a promover uma nova obra, cujo tema é o Amor!


Já estou a trabalhar na minha história para enviar até final do mês...


Regulamento :
Envio do pequeno conto, em formato Word, para pastelarialivros@gmail.com
Até dia 30 de Novembro de 2012
Para participar:
- O tamanho da história: até 10 folhas (páginas) A4
- O vosso manuscrito deverá ser enviado num ficheiro word. times new roman 12pts
- Deverá estar devidamente identificado
- Qualquer pessoa poderá participar, obedecendo ao tema sugerido.
- A participação não obriga a nenhum compromisso monetário, por parte dos Autores.
-Os autores participam gratuitamente.
-Os Autores podem adquirir os exemplares que desejarem (com desconto de autor)
-Todos os passos, até à publicação da obra, serão partilhados com os participantes seleccionados.
Tal como de costume.
- Todos os manuscritos que não obedeçam ao regulamento, não serão considerados



Cumprimentos (e larguras, lol)!

Eli


 :)

Prémio Dardos

 
A Brown Eyes, atribuiu este troféu a este blogue, o qual agradeço desde já!
 
Houve tempos que ignorei prémios, desafios e a própria blogosfera. Depois, chega (sempre) um dia em que "caio na real" e não quero perder mais...
 
Pelo que percebi, este prémio começou com uma intenção nobre. O Prémio Dardos foi criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade que, em 2008, concedeu no seu blog, Leyendas de el pequeno Dardo, os primeiros Dardos, destinados a quinze blogues, que, por sua vez indicariam outros 15 blogues. O prémio espalhou-se e tem como objectivo reconhecer o empenho e o valor de quem escreve na blogosfera mas, como é impossível conviver ou participar sem que tenhamos que obedecer a regras, cada nomeado, que queira participar e aceitar o convite, terá que: 
 
1 - Exibir o selo;
2 - Linkar quem o premiou;
3 - Escolher outros blogues para indicar o prémio;
4 - Avisar os escolhidos.
 
Os nomeados são:
 
 
 
 Ando meio perdida, mas hoje dei-me ao trabalho de copiar link a link porque quero continuar a ir aos vossos blogues, assim como reconheço a importância das vossas visitas.

Obrigada,

Eli

 

sábado, novembro 03, 2012

PPC (Amigo Secreto)






(Como eu gosto destas coisas...)

A Polo Norte do blogue Quadripolaridades está a promover um jogo chamado 
Polar Post Crossing
tipo "Amigo Secreto" que consiste mais ou menos no mesmo só que desta feita com postais de Natal.

 Podem enviar os vossos dados à PN até final do mês como poderão ver se clicarem no link.


Quem quiser participar, veja tudo explicado neste link.




Eu já me inscrevi e irei participar com todo o gosto!

:)

Eli

sábado, outubro 27, 2012

quinta-feira, outubro 25, 2012

Aceitação


Decidi colocar de parte os meus sonhos... já há algum tempo!... E não é que dá resultado?! A vida parece outra, mais leve, mais minha, mais presente. Penso que não estabelecer objetivos que carreguem ainda mais os dias, pode ser uma salvação. Aceitar a vida como ela é, sem estar sempre a recorrer a "nãos" também pode facultar uma arma poderosa na luta do quotidiano. Quando me voltar a vontade de levar tudo à frente, quando tiver poder para carregar todas as páginas nos ombros, mostro-me ao mundo, fecho o guarda-chuva e deixo ser dia, em vez de recorrer apenas ao encanto da noite, para que me compreenda.

Eli

quarta-feira, outubro 24, 2012

Massagem

Uma limpeza na casa e a seguir, o que apetece?!

Limpeza na alma, update dos sentires...

Uma mudança, alguém novo...

Uma massagem.

Nos tempos que correm, os toques, as sensações têm mais valor...

Relaxamento...

Os músculos carregam todas as tensões, frustações...

Embora libertar?!

Eli

:)

sábado, outubro 20, 2012

Aconchego


Imaginava um fim de semana de noite aconchegante... com a companhia mais ternurenta, mais carinhosa... mas os planos mudam do nada e, de repente, já não tenho o chá prometido, já não vivo o abraço quente... Ainda que leia na paragem, um reflexo de alguém sincero, não posso crer que a minha vida tenha ficado este vazio tão repentino. É tão bom quando um calor, como uma música, nos envolvem e nos sentimos... me sinto, me senti... protegida. Levei-te a coragem. Não voltaste a partir por uma falta de promessa, por uma confusão, porque eu não fui segura... então, se é por favor, agora não.

Eli

quinta-feira, outubro 18, 2012

"Ocultos Buracos"



Queridos leitores:

Convido-vos para o lançamento do livro acima mencionado, onde tenho uma participação (um texto). 
(Somos 98 autores!)


Cumprimentos,

Eli

Mas


Durante a minha vida fui desenhando um caminho qualquer, entrando por encruzilhadas, perdendo-me no escuro. Quando pude aproveitar os momentos, estive lá. Estivemos. No entanto, atiraram-me com um "mas" e o colorido háde ser apagado.

Eli

terça-feira, outubro 16, 2012

Suspira-me


Ainda que pouco veja, tanto sinto, tanto pressinto
Ainda que nada toque, toda eu, arrepio

Ainda que eu verse sem música, assobio
Vens tu e inspiras-me de mãos esguias

Sem medo de me perder, encontro-me
Na nossa dança de beijos

Podia promete-te o mundo
Mas, prefiro viver-te ao segundo.

Eli

:))

segunda-feira, outubro 15, 2012

Despertar



Num despertar de música, assim fiquei eu, tão nua de preconceitos, que eu própria me vislumbrava num momento muito próximo dentro do nosso futuro. Abrangias-me o abraço dentro do teu abraço como se já não faltasse mais nada para ser plena a realização da imagem. Entretanto, os cheiros misturavam-se e os corpos contorciam-se. Contei-te ao ouvido que já pensava em escrever descrevendo, mas ainda não o tinha feito e para te provar que as minhas palavras nao sobrevivem de tristezas, aqui te beijo, aqui te quero.
 
Eli
 








 

domingo, outubro 14, 2012

Sem dançar, sem respirar


Por que me levas o tapete onde voava?
Por que me deixas assim, sem dançar?

Onde estão as perguntas que desejava?
Não respiro.

Queres ver-me chorar...?

Eli

sábado, setembro 29, 2012

Tive


Era uma vez... uma casa...
 
Hoje, ia a caminhar na rua... como tenho feito nos últimos tempos, na vinda de um trabalho curto, mas uma rotina preciosa... e naquela estrada longa, vi um menino dos seus dez anos e uma menina dos seus sete anos. Ele levava-a pela mão. Ele, cabelo escuro, curto o suficiente para ser corte de rapaz. Vi que se olhavam nos olhos de vez enquando, enquanto iam dizendo algo. Ele mais alto, quase se baixava e ela esticava-se. Ela, cabelos loiros, quase a tropeçar, pois tinham que andar depressa. Os primeiros pingos tinham caído. Estava a começar a chover. Mochilas às costas como eu. Como eu gosto. Outono nas árvores. De tão apressados, ela tropeçou nos seus passos e ele segurou-lhe a mão com firmeza. Joelhos rasparam levemente no chão. Vi que ele lhe perguntava como ela estava, pelos gestos. Até que ela lhe deu a mochila e correu à frente dele... Parece-me que ele ficou uns quatro passos atrás, a correr (também) com orgulho da sua irmã.

Eli








sexta-feira, setembro 21, 2012

terça-feira, setembro 18, 2012

Piano's


Não vês que estou só?! Não me vês, porque eu já sou antiga. Sou como a eterna estátua da fertilidade, sabias?! Sim, podes sorrir, porque ultimamente alimento-me de vozes alheias e dos meus sorrisos íntimos entre rede e tempo. Escolho o piano, se me permites. Será que cresce alguma coisa das sementes que lancei à terra?! Não me apetece regar. Quero antes ver quem tem uma gota de água que me sacie, que me traga o rio e me leve até ao Oceano.

Eli

:)



terça-feira, setembro 04, 2012

Chuva


Apetecia-me correr na chuva. Apetecia-me sair daqui agora e sentir a chuva no rosto, nos braços, nas pernas, nas pálpebras. Beber da chuva com os lábios quentes e frios. Atirar todos os guarda-chuvas, todas as proteções, todos os impedimentos e simplesmente ir eu, só eu mesma. Nem sei como é que depois de uma nuvem tão negra que me pairou, eu voltei a ser normal, a sentir-me bem. Os problemas continuam cá, mas a minha capacidade para os resolver voltou.
 
Eli
 
:)

segunda-feira, setembro 03, 2012

Setembro




Há momentos de estupidez autêntica em que me esqueço de ser orgulhosa e de que esse mecanismo é a melhor defesa que encontrei em todos os meus anos de vida. Há pessoas que acreditam em tudo, eu acredito em todas as pessoas. Eu sou aquela que dá sempre o mesmíssimo benefício da dúvida e deixo que as pessoas, as conversas, tudo me flua. Não sou impedimento de nada nem de ninguém. Graças a mim, não há barreiras à minha volta, portanto, posso bem ser quem eu quiser, mesmo que por vezes me veja a desfalecer, levando comigo toda a lógica. Sim, queria ser mais feliz, sim, queria aproveitar o meu tempo para as melhores conversas, mas quando as coisas que queremos não dependem apenas de nós, o melhor é fazer todo o esforço por aceitar, por mais que isso custe. Quando vi aquela lesma, vi o simbolismo das minhas rotinas profissionais. Ora, na minha vida, já passei por muitos lugares, levando quase literalmente a casa às costas. E, agora, o sistema retrocedeu tanto, que não é devagar devagarinho, é retroceder. Pelo menos tenho um Plano B, que apesar de não me fazer feliz ou realizada, é outra luta, maior, mais difícil, mas embora lá arregaçar as mangas.

Eli

domingo, setembro 02, 2012

Manhã difícil






Amanheci quase vazia, não fosse uma preocupação inerente ao estado físico que não consigo controlar. Adormeci tão tarde que parecia nem ter dormido. As coisas teimam-se em estragar. E eu não sei muito bem como proceder. Temo perder o controle do meu equilíbrio do qual me orgulho, quando as peças de avaria. E ia assim, no carro, com medo de uma eventual avaria que no fundo nunca pensei que fosse acontecer. Sou assim, treino-me para pensar pelo melhor, mas eu vivo no realismo, vivo. Nesse momento, com ambas mãos no volante, reparei que não sou uma mulher completa. Sentia-me meia mulher, ou mulher às partes... necessitava urgentemente de desanuviar de uma onda de negativismo e voltar a mim.

Eli

sábado, setembro 01, 2012

Today


E eu insisto, como se ainda houvesse um lado positivo em tudo isto. Estou a arrastar um dos dias mais longos do ano. Eu podia perguntar onde estão os amigos, mas eles também iriam perguntar onde estou eu. Bem vistas as coisas, a minha vida é como a de um caranguejo, que ora retrocede, ora dá passos para o lado. Eu sei que é melhor que ficar parada, blá, blá, blá. Desta vez, enganei o destino e não esperei pela lista. Resta saber se sobreviverei com o pouco. Penso que sim. A minha sorte irá mudar... ou não, claro. Porra!
 
Eli

segunda-feira, agosto 27, 2012

Conhecer


Sempre que começo a conhecer alguém novo, dou-lhe sempre "crédito". É como se viesse logo incluído com todos os benefícios da dúvida e por aí adiante. Isto claro se houver o mínimo de empatia entre nós. Se for um espécime masculino em quem eu tenha um interesse em conhecer melhor, gosto de lhe dar prioridade, mesmo que ele nunca se aperceba, mesmo que ele nunca tenha vindo a saber... ou mesmo que saiba, porque eu até sou bem capaz de lhe dizer... isso e muito mais. Na verdade, é um potencial amigo e, na verdade, só não é meu amigo quem não quiser e... claro, futuramente, quem não o merecer. Os meus amigos não são poucos, mas cada um ocupa o seu lugar com aquela particularidade, pois já nos aceitámos e respeitamos como somos. No amor, a coisa é mais ou menos o mesmo, como diz a Bridgit no seu diário "ele ama-me tal como eu sou".
 
Eli
 
:)
 
 

De mim


Eu esforcei-me, eu juro que me esforcei, mas não consegui... então, agora, parece que o mundo me deixou aqui, assim, completamente sozinha. Os meus olhos desfocam-se e já nem sei o que quero ver. Por que razão me entristece tanto ter que abandonar diariamente um sonho que sempre me preencheu?! Não toco por puro prazer, toco por necessidade, porque há um qualquer objetivo em me manter viva... e esta música troca-me os acordes de uma ponte qualquer, aquela que não...
 
Há uma tristeza no piano que tocou, na música que não ficou e naquilo que sinto quando se trata de rejeição. Eu esforcei-me por não vir aqui escrever-te, escrever-nos, eu tentei mesmo, mas perante as lágrimas, preciso de despejar, despachar, assombrar, assombrar esta capacidade que tenho de me entregar... que nunca me levou a um porto seguro. Sim! Nunca! Era isso que tinhas que ter lido hoje.
 
Afoguei-me vezes demais. Não soube nadar, nem saberei jamais, por mais que me esforce, apenas apanhei boleia em embarcações masculinas. Isto não é um poema, mas é "ajudado".
 
Já não pergunto "será de mim?", porque eu sei "é de mim".
 
Eli