Agora nem nómada, nem emigrante.


terça-feira, janeiro 31, 2006

Reflexo


Foto Eli

Não escondo eu o que o mar me mostra?!
Como quererei não mostrar o que reflicto?!
Estava mesmo assim... Não era ostra...
Nunca fui pérola... Mas, reflicto...

Queria poder não ser transparente
Queria escolher o que reflicto
E estar sempre sorridente
Nunca fui bela, mas reflicto!

Sabes?! Quero, numa onda me envolver
Assim... Como uma barbatana me sentir
Como um Peixe, escrever
E... sempre assim... a sorrir!!!

Porque... tal como o mar
Volta a reflectir o azul do céu
Lá voltarei a ver reflectido o meu olhar
Que será o reflexo do teu...


Eli

:)

sexta-feira, janeiro 27, 2006

escreverumlivro

Salvador Dali


Nas raízes rasgadas...
Pude escrever...
Encantadas...
Por uma canção...
Dei-me a ler...
Deram-me atenção.

Fui escrevendo este livro aberto?!
Rasurando mensagens proibidas...
Não temi o destino certo...
De verdades escondidas.

Não inspiro confiança.
Não trago azul marinho.
Não tenho aliança.
Nem sei o caminho!

Eli

:)

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O Sol Azul

Podemos pedir que nos sorriam...
Podemos alcançar água...

O Mar e a Terra criam...
Sem dor nem mágoa...
Um Sol de Azul valor...

Como um céu que se espelha no Oceano
Como um deserto de Inferno insane
Como o... opaco transparente de... dor?!

- Não!
Então...
De... ?!

Isso agora...


Eli

:)

domingo, janeiro 22, 2006

A Voz

Salvador Dali


Era uma vez um menino que vivia numa ilha. Ele vivia com os pais, mas com os sonho de um dia sair dali e conhecer outros lugares, outras pessoas...
Logo pela manhã, assim que acordava, mal tomava o pequeno almoço, pegava na bicicleta e punha-se a pedalar para a escola, feliz, pois ia jogar à bola com os colegas e com a professora nova que gostava tanto de lhe fazer cócegas!
Esse menino cresceu. Tornou-se um jovem cabisbaixo. Não sorria, não sentia. Apenas esperava.
Um dia, apareceu-lhe uma borboleta encantada que exclamou:
- Sei que tens um grande desejo!
Ele disse, admirado:
- Como sabes?! Só és uma borboleta!
- Sei, porque eu senti-te triste e vim realizar o teu desejo. Mas preciso de duas coisas tuas, uma é a libertação material - dás-me a tua bicicleta. A outra é uma lágrima tua, com sentimento.
O jovem não quis chorar... quis antes guardar todo o sentimento para ele, muito menos lhe dar o pouco que tinha (a bicicleta).
Passadas cinco semanas, o jovem estava pensativo, a olhar o céu e a lamentar a sua triste existência. Permanecia num lugar alto de onde conseguia ver o mar em todo o seu explendor. Vislumbrava o horizonte e deixou cair uma lágrima.
Dentro de si, uma voz questionou:
- Dás-me o que tens?
Ele respondeu no pensamento... sem proferir qualquer palavra:
- "SIM".
Nesse momento, as cores do céu misturam-se com as cores da terra. O perfume do mar encheu-se de ternura e ele viu aproximar-se aquilo que julgava impossível...
- Aceito, mas se nunca me deixares, Voz.
- Sou a borboleta que conheceste. Estive sempre dentro de ti... mas precisaste de me ver para acreditar em mim.


Eli

:)


(Quando damos tudo o que temos, recebemos muito mais do que demos e não perdemos nada do que realmente já tínhamos...)

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Estrela

Foto de Eli...

Estranho este meu sentir...

Estranho este meu eu... alone... assim...

Acompanhado de tanta gente a sentir

Garras de mim!!!

...

Tentáculos em sorrisos que não posso ocultar...

Sentimentos em salas de janelas altas...

As minhas veias a pulsar!

Em silêncios e falas...

(...)

A minha vida passou neste espaço

Em cinco meses do mesmo sonhar

Agora, sonhos vazios, um abraço

É tempo de recomeçar!

(...)

Tenho tantas páginas brancas por escrever

Tenho tanta alma e coração

Tenho tanto para crescer

Tanta imaginação...

(...)

Vi uma estrela brilhar

E num livro escrever

Um desejo de continuar

A renascer!

.

Eli

:)

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Amigo



Tantas e tantas vezes ficamos apenas a olhar para a nossa vida como ela era, foi e como será!...

Estou bem.

Uma amiga faz anos hoje (dia 18) e venho agradecer a sua presença, assim como dar-lhe os meus parabéns!

Aproveito para deixar um abraço a todos os meus amigos e dizer (mais uma vez) que cada um tem um espaço só seu no meu coração, aquele espaço que fica vazio se não for ocupado pela pessoa que é dona dele!

Reguemos as plantas da amizade!

Parabéns, ranha!

Eli

:)

ranha - s. do verbo "ranhar"; congra.

domingo, janeiro 15, 2006

Morada


Andas com a esferográfica ténue nas linhas brancas e escreves para quem lê?! Ou deixas-me ao acaso para te admirar, apenas olhando para trás?! Sorrateiramente, o vento me bate nos olhos quando avisto o mar todas as manhãs. Mas, teimo em não ver o horizonte que me faz sonhar. Não possuo negro nem branco. O meu coração foi azul em ti e revi-me nos teus gestos. Cada vez que te tocavas, era eu que não queria fazer assim, pois foram traços que não me foram permitidos. Não posso e sei que nunca vou poder, apesar de ainda não o conseguir! És letras em mim, és teclas, és o clique! Vives as manhãs com sabor e eu durmo-as como sonhos que se matam por apenas existir. Agora, estás à entrada da minha porta, mas ela fechou-se, já não está escancarada, nem sequer entreaberta. Não sei se algum dia se abrirá, se não me pedires. No entando, a janela estará sempre lá, porque podes sempre ocupar o lugar de amigo que sempre mereceste. Moro aqui, na campainha do meio... sabes?! Quiçá sonharei muitas mais vezes nestes lençóis de nevoeiro... ou nestas ervas que já foram verdes...
Saboreias as palavras quando queres, quando podes, as que mostro, aquelas que mantenho... Hoje sorrio muito. Alivio o pouco que me faz renascer... a minha alma é esta e não quero outra!
Escrevo cartas daqui e aqui as recebo!
Eli
:)
P.S. Apetecia-me deixar a minha morada!!!

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Passado


Quando olho para trás, consigo ver...
Quando olho para a frente, não.
Quando... capacidades infundadas
E estranhezas realizadas
Se fundem num só pensar
Deixam-me sonhar
Mas, não passa de passado...

Há momentos em que o amor
Fica ultrapassado
Pela autonomia da inteligência...
Em que, seja como for,
Cada momento, na sua existência
É, por ter sido, um ponto a favor
Na sua real excelência.

Pegadas
Suadas
Marcadas
Queridas
Sentidas
Desejadas
Mortas
Enterradas


Eli

terça-feira, janeiro 10, 2006

Aos amigos!


Fotos minhas

Nas férias do Natal, falei aqui do passeio e hoje venho mostrar um pouco do que eu vi.
As viagens de carro, a própria condução me fazia pensar em muitas coisas. Em lugares que ousava alcançar, em pessoas com quem ia estar nesses lugares, mas pensava sobretudo em mim e naquilo em que acredito, confio e sonho...
Foi uma época de reflexão em que me punha muitas vezes a conduzir na A25 e me deixava levar... ansiando que não fosse a única a fazer o mesmo. Muitas pessoas não aproveitam o que têm. Não dão valor ao simples calor humano de um amigo que o espera...
Foi tão bom saber os meus amigos junto a mim, com a mesma dose de confiança, reforçando o carinho... Lamento que não possa estar mais vezes com essas partes de meu coração... no entanto, vou tendo provas que aqui também posso triunfar, pois, quando aqui cheguei já vinha acolhida, já não vim sozinha no avião.
Gosto de sentir os amigos. Gosto da sua presença, que, mesmo teimosamente ausente, me leva a crer que é a mais próxima possível de momento devido às suas vidas tão preenchidas... Acredito que não sou esquecida, assim como não os esqueço. Sei perfeitamente que não posso esperar dos outros, o mesmo que faço, por isso é que às vezes me dão tanto e também eu fico a pensar se serei merecedora... pois, se acho que tais merecem, então eu também aproveitarei essa partilha tão saborosa...
A vida é uma estrada... onde nos conduzimos e deixamos que nos conduzam... então, os amigos são como os carros...
Eli

:)

domingo, janeiro 08, 2006

Haverá?!

Dali

Haverá um lugar quente onde os que já foram nos possam esperar?!
Será que nos poderão acolher?!
Haverá esse lugar?
Será que nos podem ler?!
...
Será que me poderão ouvir os pensamentos, ou levar-me as palavras como uma banda sonora que não acaba, para nunca acabar o filme... e chegar à despedida... e quando não nos despedimos... ficamos.


(Pelo 7 de Janeiro de 1998)

Eli

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Felicidade

Salvador Dali

Conseguir ser um golfinho e abraçar o mar

Em todo o seu explendor

E, conseguir fazer-se desejar

Na retoma do Amor.

Deixar linhas de poemas em aberto

Pela telepatia descobrir,

Qual o gesto mais certo

Para te fazer sorrir...

Felicidade é sobretudo poder sonhar

É seguir o coração aparentemente frio

É deixar-me levar

Pelo grande desafio...

Eli

:)


(Dantes nem ligava aos golfinhos, mas, nos Açores seria impossível... gostaria de os ver aí, numa viagem de barco...)

sábado, dezembro 31, 2005

quarta-feira, dezembro 28, 2005

O passeio...

Tenho andado a conduzir... tenho andado a pensar, a descansar... tenho estado por aqui e ali, com sorrisos de uns, palavras de outros e já estou a pensar que estou quase a ir embora...

Adoro conduzir. Até ando mais devagar só para aproveitar a viagem e a música enquanto viajo!
Depois vou postar uma ou outra foto dessas viagens!

Quando chegar aos Açores vou aos vossos blogs todos marcar a minha presença! Agora só tenho visitado um ou outro! Desculpem a minha ausência, mas prometo compensar!!!

Entretanto, tenham uma boa passagem de ano!

Hmmm, nestas viagens penso muito... penso tanto sem precisar, mas gosto tanto de pensar... Fazem parte de mim os desvaneios...

Também erro e neste momento estou assim, com um pensar diferente... cabisbaixo, mas vai passar, deve ser só hoje...

Eli

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Feliz Natal

Uma vez decorei uma quadra de António Aleixo, que uma professora de Português me dedicou... ela disse que ali estava descrito como eu era... e hoje, num regresso às origens, vos deixo essa quadra, porque dou de mim... assim... ando a partilhar...

"Não sou esperto, nem bruto
Nem bem, nem mal educado,
Sou simplesmente o produto
Do meio onde fui criado."

Óbvio que poder-se-ão retirar muitas interpretações, mas neste sentir da minha terra, mesmo que eu me ache com um espírito de grande aventura para não me prender a ela... mesmo que eu não seja simplesmente isso, mas simplesmente eu... mesmo que eu conseguisse inspirar-me e escrever algo meu... hoje estou assim... nesta partilha, com o coração cheio de AMOR.

Que o espírito natalício esteja em cada um de vós... e volto a comentar-vos quando voltar aos Açores e à net em casa...

Obrigada pelo apoio, carinho, presença que tive de vós este ano! Que o próximo continue assim e que realizemos os nossos sonhos! Ah! Como sonho e gosto de sonhar...

Eli

:)

(Com um sorriso da alma e a escrever ao som da banda sonora do blog do Orfeu!!!)

quinta-feira, dezembro 15, 2005

O Espaço

Mas, tu sabes...
Agora, assim como ontem...
Realmente o espaço e o tempo são muito relativos...
Não se sabe onde Começa um e onde termina o outro...
O Espaço também te faz!...

:) Eli

domingo, dezembro 11, 2005


Quantas vezes me pergunto se estou certa...
Quantas e quantas decisões tomei
De não deixar mais a porta aberta...
Mas, nesta luta, acho que errei.

Apetece-me desistir de tão cansada
De procurar na penumbra o Amor
De tentar alimentar-me da realidade sonhada
Que me persegue para onde eu for.

Estou rodeada de sorrisos, do meu,
Mas imensas dúvidas fazem-me parar.
Não consigo olhar o céu,
Nem deixar de pensar.

Apetece-me perguntar
"Até quando tenho que esperar?"
Mas, um dia volto a fechar
A porta por onde te recusaste a entrar.


Só. Sinto-me só.

Fico, mas sem sonhos, que dantes me acariciavam, mas que agora não quero, embora querendo, porque me atormentam e exigem de mim uma luta cujos resultados não passam de incógnitas... Há capacidades que não tenho e não me sinto perfeita, nunca o fui e acho que estão sempre à espera de alguém que o seja. Peço desculpa por ser feia, por ser exigente, por existir assim... mas não tenho capacidades sempre, sou tão eu que até me dói a alma... Só posso ter errado, mas nem eu mesma sei em quê... Só sei ser assim.

Eli

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Biscoitos


As casas não existem apenas na nossa imaginação.
Hoje encontrei um lugar
Que já tinha sonhado com paixão
E que prometi reencontrar

Aquele espaço não era simplesmente uma imagem
Mas um pedaço de céu quente
Uma simplicidade de miragem
Um sonho remetido para um futuro consciente

Uma casa que li em livros e descrevia
Gargalhadas ao saudoso som do mar
Rochas negras em sintonia
Na mira de um olhar...

Eli

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Saudade numa carta deste lado do Mundo...


Às vezes chego a casa e deparo-me com sensações estranhas. Sinto-a casa, sinto esta ilha um espaço também meu, que me dá uma magia que não sei descrever...
Às vezes, chego aqui e fico a olhar para umas tantas janelas que se abrem e não me falam de nada que eu não ouse escrever...
Mas... fico.
Hoje, no meu quarto, cheguei à janela, olhei a imensidão até conseguir vislumbrar um minúsculo horizonte onde o céu acaricia o mar e senti aquilo que muitos chamam de telepatia: a pessoa a quem estava para ligar, ligou-me. Essa pessoa fantástica chama-se Susana (Aveiro) e já vos a apresentei. Desculpem a repetição, mas sei que ela ficará feliz ao ler isto e estou a pensar no sorriso dela que não aguento sentir ausente.
Às vezes, quando chego a casa, gostava de sentir assim uma pessoa que ouve, compreende, fala, confia... ou apenas uma voz do outro lado do telefone...
Às vezes, chegamos a casa e queremos apenas que essa casa seja um espaço ao qual podemos chamar "home". Este espaço (blog) é a minha casa.
Obrigada por me visitarem, porque cada comentário tem sido recebido com um sorriso!
Já falta pouco! Está quase!!!
Tantos abraços neste Natal! Adoro o Natal, mas este ano terá outro sabor! O sabor do espaço que nunca deixou de ser meu... lugares...

Viseu é nosso,
Viseu é nosso,
Viseu é nosso e há-de ser
Viseu é nosso até morrer!

:)

Eli

sábado, dezembro 03, 2005

Açores :)

Não sei se é da Ilha Terceira
Ou se é dos arquipélago dos Açores
Porque esta ilha foi a primeira
E já me encantei com as suas cores...

Não sei porquê tanto desejei
Voar ao encontro deste lugar
Mas já sei que ficarei
Com vontade de cá voltar...


Olá!
Hoje quero contar-vos que a poesia nem sempre foi olhada por mim de forma semelhante. Dantes não conseguia alcançar a beleza da subjectividade. Escrevi rimas como estas que saem na hora, mas que não têm aquele calor, aquele sabor. Acho que qualquer um de vós irá compreender, mas sei que, este blog "obriga-me" a escrever. Dantes pegava numa caneta quando precisava e escrevia apenas para mim os desabafos, as paixões não correspondidas... escrevia poemas a fio e achava que não era eu que estava a escrever aquilo, mas, o que é certo é que escrevia...
Cheguei a colar na parede poemas escritos por mim, mas não os assinava só para saber a opinião de quem me visitava. Poucos sabiam desta minha faceta... quando liam perguntavam de quem era e eu ficava orgulhosa do que diziam (sem saberem que eram meus) e chegavam a escolher o que gostavam mais! Gostei muito deste feedback! Continuo a gostar. Neste quarto não colei nenhum poema meu, mas, neste espaço tenho escrito alguns, desses que saem e posso saber a vossa opinião sem me conhecerem, podendo ser sinceros, pois a maioria não me conhecem de lado nenhum e pode-se sentir à vontade para criticar, se bem que os que me conhecem também sentem, mas vocês entendem!!!
Hoje, abro o meu espaço a todos vós que me comentam agradecendo, porque me fazem companhia aqui, neste cantito dos Açores...
Nas paredes do meu quarto, tenho desenhos feitos pelos meus alunos, desenhos e construções que me mandaram pelo correio feitos pela Susana_Aveiro, postais: da Susy, da Filomena e da Geby, mapas da Ilha que imprimi antes de sair daí, um poema que a Tânia me deu antes de vir embora e muitas fotografias, apesar de não ter tantas como gostaria... Tenho também um recado escrito a Braille e umas outras coisas que não vou referir! Afinal tenho que resguardar o meu espaço!!!
Ah! Estrelas, daquelas que brilham no escuro e uma lua... Saudades das minhas estrelas coladas no tecto!!!

Postei esta imagem, porque é daquelas que gosto mais, porque mesmo ao pé do verde, temos logo o mar! Nós (eu pelo menos) imaginamos o mar com areia, mas, aqui, a areia é bastante escassa.
Partilho a foto, pois é isso tudo e um bocadinho do que vai ficar quando me for embora!
Isto de ver o mar todos os dias é uma inspiração para mim e nunca sofri do síndroma insular, o mar nunca foi evitado e nunca me assustei. Sinto que vim parar aqui, porque tinha que vir e desde sempre soube que tinha que partir para longe!

No entanto, quero regressar à base (piada, não é a das Lajes)...

Obrigada. :)

segunda-feira, novembro 28, 2005

Nenúfar

Era uma vez uma fada que voou tanto, que, quando queria descansar, não tinha onde poisar... Voava voava, mas só via nenúfares e água. Não pousava nas flores com medo de as estragar e na água com medo de se molhar!

"Que faço eu, agora, que tenho já poucas forças nas minhas asas?!"

Então, o milagre aconteceu e o Nenúfar falou:

"Podes descansar nas minhas folhas, que são resistentes e aninhar-te nas minhas flores. É apenas o que te posso oferecer, pois mais não tenho..."

A fada lá continuou e só alcançava água... os Nenúfares ficavam para atrás.

Então, o milagre aconteceu e a Água revelou:

"Podes-te sentar em mim, porque os nenúfares são feitos de água, tu és feita de água e conseguirás descansar um pouco aqui, flutuando..."

A Fada lá pensou, pensou... e, quando as suas asas não batiam mais de tanto bater, deixou-se cair na Água... e flutuou... descansou... até que, com a corrente chegou de novo junto ao Nenúfar, que lhe lembrou:

"Por que fugiste, quando te ofereci um lugar quente, um colo?! Podes tentar ficar só, porque na Água só te vês a ti, ou podes ter-me a mim, que estarei sempre aqui à tua espera..."

Eli

sábado, novembro 26, 2005

Quebraram o Horizonte

Quebraraste o Horizonte ao qual assisti todos os dias como ermo...
Julgaram-me ausente, mas fui eu que estive sempre AQUI.
Como posso não estar presente, se já o estou?!...
Mas, a presença não é no espaço, mas no lume que arde...

Cumpro os preliminares - Afeição...
Dou-me conta da tua Índole...
Voltas-te e vejo Carácter, Coração...
Capacidade de revelar, converter, cativar...

Cada pedra que se soltou nesse mar,
Foi resultado do gelo que tentaste criar,
Antes de me tentares vir buscar.

Espero pelo dia em que vou voar
Para sair
Da clausura deste lugar.

O Atlântico gelou no dia em que disseste vir.
Mas, no qual que não me enviaste sequer um olhar.

Amanhã, partirás - o gelo - em navios,
Mas, só me conseguirás alcançar,
Se não tiveres medo de naufragar!


Eli Rodrigues

(como sempre)

segunda-feira, novembro 21, 2005

Pa Ti :)


O que eu sonhar, agora, realizar-se-á.
Disseram-me anjos a cantar!
Sussuram o meu desejo aos teus ouvidos...
No futuro, vi-te, cambaleando, a chegar.

Ó árvore que te prostras, devagar
Movendo-te em torno da ansiedade
Reflectes na água uma nudez a espelhar,
Solta as raízes e traz-me liberdade.

Encontro chaves que não abrem tesouros,
Enclausurados em areia e em mar.
Mortes de outrens vêem-me passar,
Mas, deixam-me passear mouros...

Então, fico assim, num local estratégico,
Para lutar de espada em punho...
Espero, na calada, esperta e épica
E, num poema encontro soluções!

Feliz de mim, que vivo o momento,
Que apanho autocarros no pensamento,
Que circulo a sorrir por mim.
Que escrevo versos do nada!

Pois, existes e... assim... tudo me inspira
Porque, bebo dos reflexos do mar,
Que não atrasa a minha chegada,
Que me faz sentir perto do teu olhar...

Feliz! Sou! Olha o meu sorriso :)
Estes versos são para ti!
Assim, simples como o horizonte,
Que é mais do que uma linha,
Que separa o Oceano do céu...
E as estrelas do monte...
Verde como as telas...
Onde pintas a fonte,
Das flores...
Do Norte...


Eli

terça-feira, novembro 15, 2005

O Mar é um Espelho


Caminho por estradas que me passam debaixo dos pés
Rodando assim, como quem gira às voltas no mesmo lugar
Vejo-te em cada imagem, sinto-te como és,
Sandálias nos dedos e apenas um olhar...

O meu olhar percorre sozinho imagens
Que são o espelho de gotas marinhas
O mar reflecte o céu e suas miragens
Viro-me, desnudo as minhas...

Olho todos os dias para esse espelho do outro lado
Que toca músicas em silêncio e que não cheira a sal
Música que trago no meu pensamento alheado
Hoje cantei os sonhos, os tesouros e o amor fatal
Mas, não te encontrei abandonado...

Outrora sonhei com frotas
Que me vinham buscar
Agora persisto, persigo e revejo-me
Com alguém que não vai fracassar!...

Vira-se a página e só continua
Quem não quis ficar lá atrás
Tenho uma história para realizar, crua
Quererás escrevê-la? Serás capaz?



Eli

domingo, novembro 13, 2005

Hoje não ignorei os que passam fome...

Há tantas coisas no mundo que finjo não conhecer... Sei da fome, da guerra, da ganância pura, de crianças que não têm uma única coisa no mundo... que nem amor de pais têm...
Hoje, apeteceu-me escrever de dia... a uma hora que não é normal... transmitir a energia positiva que sinto dos raios solares, que me faz continuar...
No entanto, escrevo, agora, à noite...
Penso no sofrimento de milhões de pessoas que não podem optar por outra vida, que não têm sequer a oportunidade de estudar, de conhecer outro lugar, de saber que existem lugares onde a comida sobra...
Não assisto aos noticiários, não leio os jornais, ignoro o que se passa no mundo, sou egoísta. Preocupo-me em ver o lado positivo apenas. De assistir aos problemas dos amigos e tentar alterá-los para que consigam vislumbrar uma solução que eu teimosamente encontrei, quando olhava de fora... porque me contam as suas vidas, porque confiam em mim.
Alimento-me de pedaços de confiança que depositam em mim e mantenho segredos há décadas...
Hoje, penso um pouco naquilo que vai além do meu pequeno mundo, onde exijo, vivo, sorrio e sonho...
Pensei sempre que tinha que sair de lá e ir para longe, porque havia uma missão à minha espera. Tenho medo de não a conseguir cumprir por egoísmo, porque estava só a olhar para mim e a alcançar bem-estar.
Quando ajudo alguém, sinto-me bem e acho que estou a ser egoísta, porque faço-o por mim, porque gosto do que me faz sentir. Estarei a ser correcta ao gostar de ser reconhecida pelo que faço?! Talvez nem saiba ser altruista...
Depois, sinto-me mal, porque como chocolates que tanto me fazem mal, quando há tantas crianças que nem pão, água, ou leite têm...
Hoje o meu pensamento vai para os pequeninos que não têm nada, porque são esses que precisam de ser lembrados e mais merecem os meus pensamentos... mesmo que seja apenas por este dia e pelas horas em que não pensei nas pessoas que me estão longe e das quais tanto gosto.

Eli

domingo, novembro 06, 2005

As pessoas fazem os lugares

Dali

Já disse tantas vezes "as pessoas fazem os lugares"... tantas que não as posso contar!
Usei muitas vezes esta expressão, porque onde quer que estivesse com aqueles que gosto, eles transformavam esse sítio num local feliz.


Era uma vez uma Borboleta muito clarinha, era tão clara que os raios de sol passavam através dela... parecia transparente, tanto que quase não fazia sombra!
Um dia, um pastor que andava num dos campos que ela frequentava, reconheceu nela uma marca de beleza natural e resolveu que no dia seguinte iria fotografá-la.
A Borboleta viu o pastor a olhar para ela com tanta atenção que se sentiu constrangida. Mas, logo o pastor partiu e ela ficou mais descansada. De qualquer forma, sendo uma Borboleta prevenida, resolveu pedir a uma Tulipa que a ajudasse da próxima vez que isso acontecesse. A Tulipa concordou.
No dia seguinte, assim que a Borboleta viu o pastor aproximar-se com a máquina fotográfica e correu para dentro da Tulipa que fechou as suas pétalas, escondendo-a.
O pastor ficou muito zangado, pois não encontrou a Borboleta no meio de tantas flores!
A Borboleta nunca mais foi vista. Então, o pastor resolveu pintar uma tela para perpetuar a imagem que tinha dela.
A Borboleta acabou por ficar sempre dentro daquela Tulipa, optou por não mostrar a sua beleza a mais ninguém e sucumbiu.
A Tulipa deixou de o ser e tornou-se em mais do que uma flor, transformou-se num lugar, as suas pétalas ganharam vida humana e povoaram o mundo de Amor.

A prisão mata.
As flores têm vida própria.
As telas perpetuam sentimentos.
As pessoas fazem os lugares!!!

Eli Rodrigues

sábado, novembro 05, 2005

Estória da Gaivota que se apaixonou pela Lua


"Era uma vez...", começava o velho contador de histórias. As crianças corriam para junto dele, sentavam-se na mantinha, com "perninhas à chinês" e fechavam os olhos para melhor ouvir e imaginar o que ele contava!

"Era uma vez um planeta chamado Terra. Ele não tinha luz própria, por isso contava com a luz de uma estrela muito especial que se chamava Sol. Na Terra, habitavam muitas formas de vida, tantas que, nunca chegarei a conhecer nem metade.
Um dia, a Terra foi perdendo algumas dessas espécies... até que ficou apenas com uma única Gaivota. Ela não tinha companhia, não sabia da existência de mais nenhuma como ela, só via a Terra e o Sol... até que, um dia viu algo diferente no qual nunca tinha reparado: era a Lua!!! Esta brilhava, branca, opaca. A Gaivota começou a reparar que ela ia mudando de lugar, mas estava sempre ao seu alcance, viu nela a sua única companhia e foi-se apaixonando... deixou de procurar comida e morreu.

Acredito que, quando tenha morrido tenha ido morar para a Lua, pois lá extistiam formas de existência superiores àquelas que estragaram o planeta Terra."

Isto diz o velho, mas eu suponho que ela morreu, porque não obtinha nenhuma resposta da Lua, a distância foi fatal. Ela só via esse amor (homossexual) e não conseguia ver que o amor é liberdade. O amor platónico matou-a!

Eli Rodrigues


Esta estória (prefiro "história", apesar de saber a diferença, blá, blá), parca em palavras, foi escrita pela sugestão de antonior(http://coresepixeis.blogspot.com/). Já vários o fizeram e aconselho a escreverem a vossa estória também inspirada nesta imagem!!!

Ah! Já agora, aconselho a leitura do livro "Fernão Capelo Gaivota", que um amigo me emprestou há uns anos e do qual não me esqueci! (Não me esqueci do livro, nem do amigo!)
:)

quarta-feira, novembro 02, 2005

Flores que atiro...

Há saudades que nunca irei matar.


Em cima de terra negra.

segunda-feira, outubro 31, 2005

O Sentimento

Dali


Hoje vim falar de outra parte de mim. As insónias. São horas a fio passadas numa luz ténue, onde consigo vislumbrar, claramente, apenas algumas estrelas que colei nas paredes do meu quarto.
Esta noite surgiu-me uma história que vos vou contar, daquelas que gosto, que nos fazem pensar...com filosofias e lógicas das minhas

Era uma vez um Sentimento. O Sentimento tinha duas partes. Ele mantinha-se resguardado, com medo e não se deixava mostrar!

Um dia, resolveu fazer parte de um homem. Este sentiu-se muito feliz, pois tinha finalmente parte de um Sentimento para entregar a alguém.

Certo dia, apaixonou-se perdidamente. Resolveu então partilhar com uma mulher, metade de si. Entregou-lhe Parte do Sentimento. Este ficou muito feliz, pois a sua vida estava a fazer sentido finalmente! A Outra Parte (mulher) aceitou o sentimento de bom grado, ficou feliz, mas guardou-o na gaveta para usar quando achasse necessário. No primeiro dia, usou-o várias vezes para telefonar a ele. No dia seguinte, usou-o apenas para escrever uma carta ao homem. Passado uma semana usou-o para fazer sexo. Na semana seguinte, o sentimento começou a ficar sempre na gaveta.

O homem, por sua vez, usava sempre o sentimento. Transmitia-o a toda a gente com um sorriso. Notava-se bem que não se envergonhava de sentir. Cada vez que ia às compras, as pessoas diziam-lhe: "nota-se bem como está animado há uns dias, parece mais leve...". O homem sorria, os seus olhos brilhavam e prosseguia. Quando fez amor, achou que estava finalmente no auge da felicidade, mas não compreendia, porque é que a Outra Parte do sentimento não se manifestava de maneira semelhante, no entanto, não disse nada, para que o sonho de que o Sentimento prevalecesse em si não desabasse...

Passou um mês e a mulher esqueceu-se do sentimento. Enviava mensagens ao homem, beijava-o, mas deixara o sentimento na gaveta. O homem trazia o sentimento com ele, mas sentia-se cada vez mais triste sem saber porquê... Resolveu então perguntar à mulher pelo sentimento: "Amas-me?" e ela respondeu: "Não sei, não me lembro de que era o Sentimento que me entregaste." As lágrimas do Sentimento do homem cairam-lhe pela face... ela largou-lhe as mãos não compreendendo o porquê de não sentir.

Quando voltou para casa, abriu uma gaveta para queimar um pouco de incenso e descobriu lá o Sentimento que o homem lhe tinha dado. Estava morto.

O Sentimento só sobrevive a tudo e todos (distância, espaço,...) se for mantido no coração.

Assim acontece com o Amor, a Amizade, a Raiva, a Esperança...

Eli

sexta-feira, outubro 28, 2005

Roam-se!!!... (III)



Eh, eh, eh! Toca a roer de inveja destes "bacanos"!!!

Ora bem, estes fotogénicos vivem no meu lugar preferido da Ilha! Escolhi um lugar mesmo juntinho a eles, onde se vê apenas céu e mar junto a um pedacinho de verde. Nesses metros quadrados de erva moram estes "escolhidos", que também passam lá a noite, tal como pude (hoje) constatar! Apenas posso ir a esse lugar com um meio de transporte, pois fica junto à Praia da Vitória, que fica a mais de vinte quilómetros de Angra do Heroísmo, cidade onde habito nesta altura da minha vida (e com muita sorte minha!)!! Bem, hoje pude ir lá ver aquilo de noite, porque a Ana Coleta, a minha mais recente amiga, que está mais tempo comigo e que mais me atura - que pena que eu tenho dela - alugou um carro (devido a razões bastante interessantes - para ela) e levou aqui a amiga (dela) a esse lugar! De noite não se vê horizonte, mar, ou céu que se distingam, mas sabem, ouve-se o mar... e, quando se ouve o mar é como se estivéssemos em casa, como se nos ouvissem também, porque os nossos pensamentos são enviados pelas ondas como mensagens em garrafas e são lidas apenas por quem também ouve o mar tentando nos ouvir também!!!

Gostaria de deixar aqui um grande agradecimento às pessoas que mais me fizeram sorrir aqui: a Ana Coleta, a Xana e a maluca da irmã dela - Ana Rita - que veio para aqui só para não fazer nada: "roam-se"!!! Ela também tem um blog que se chama "A minha pessoa" (vais pagar a publicidade)!!!

Quando pensarem que estão mal, pensem que há sempre quem esteja bem melhor que vocês!

E estão autorizados a chamar-me à atenção quando vier para aqui com posts demasiado "tuli tuli" (leia-se "lamechas") a não ser que gostem deles e que também os escrevam, porque aí não terão autoridade!!! a) Mas nada de me maltratar!

Este post tem uma alínea! Leiam as letras pequenas!

a) Só me podem "chatear muito" se me conseguirem fazer rir!

:)

segunda-feira, outubro 24, 2005

Arrepio de conforto

Foto por Clifford Ross

Pingas de curiosidades caem junto à minha janela. Não as vi passar, mas ouvi-as, assim de mansinho. Deitei-me junto a almofadas brancas e deixei-me repousar. Uma tarde toda em que sabia de cor cada sonho que poderia ter sonhado, mas nem vi estrelas, nem as quis ver. Não desisti, nem tampouco me vejo a fazê-lo. Orfeu fala-nos em coragem, mas quem sou eu para ter "medo de naufragar"?!
Sim, não esqueci cada sentimento que me prometi. O que cada conchinha pequena me disse antes ter sido destruída pelos dedos dos meus pés, aqueles que encolhem com a ansiedade... Cada lugar que vejo na minha memória refere filmes passados com cores que não são mais do que preto e branco, porque são passado. Não vivo no passado, nem viverei, porque no futuro também não me ficarei a desejar. Vivo agora. Sobrevivo à largada de sonhos em barcos que partiram e deixaram-me ficar. Não me foram capazes de dizer que poderia sonhar apenas um pouco mais.
Sonhadora por natureza, consegui evitar ser algo que apenas desencadeia coisas parecidas com Tears, ou com música ao entardecer... Porra! Só quero aquela pequena parte que me está reservada! Será que terei que esperar muito mais?! Quero tudo. Quero.
Meus lábios demonstram tristeza. Provam o frio de gelo sem cor, sem sabor. Aquilo que não quero para mim, já o sei há muito. São as pequenas coisas que me fazem aguentar.
A chuva chegou e a tempestade ajudou-me a largar os sótãos, os baús, as recodações, os poemas, as letras... a chuva lava-me de pensamento que não evito.
Querer querer, mas não me deixarem mais do que já quero....
Quebram-me, colam-me, mas eu não sou de quebrar, nem de colar.
É numa estrada destas, numa imagem destas que a penumbra assombra o meu caminho, indicando passos pelos pesadelos felizes que anseio em guardar, pois não passam de caminhos onde quero caminhar.
Quero caminhar em florestas assombradas e arrebatá-las junto a mim.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Roam-se!!!... (II)

Desta vez venho partilhar este lugar inspirador, onde estive...

Quem gostava de ter estado ali?! O.K., sem "mim" a chatear!!! :)

Roam-se! lol Quem está a roer-se?! Hmmm digam lá!!!

Com quem queriam estar ali?!

Vamos lá a ver quem "desbonina" um pouco de si!

Clareza e sinceridade!!!

:)

Um beijinho por cada coment!!!

:)