Agora nem nómada, nem emigrante.


sexta-feira, março 31, 2006

Ergue-te

E... no tombar dos sinos
Badaladas serei
E... ao chegar o fim,
Silêncios romperei

Não me fui embora,
Ainda.
Não me deixaste

Numa das pressões do fantasmagórico cenário
Fingi-me bela... alma poderosa

No chão te prostraste
Abusando do abecedário

Para que a poesia moribunda e manhosa
Me obrigasse a ver cor

Andando em círculos...
À volta de
"não"
Apenas esse tambor
Tocaria vezes sem fim
Para eu acreditar na recusa do Amor
O que um anjo deleita
Sofre, mas rejeita.

Sabes da tua alma feminina... de amigo...
Sei eu, mas não conto, nem a ti
Pois, esse caminho que faço contigo
Escolheste caminhar sozinho

Quando as lágrimas o forem
...essas que não vês, sente-las.
Quando me deixares cartas embalsamadas...
Saberás, no sentir, que a entrega pode ser maior
Mesmo não engendrada nome do Amor.


Eli

:)

terça-feira, março 28, 2006

O Vulcão



Era uma vez um Vulcão. Um dia entrou em erupção, explodiu força e fogo, cuspiu rochas negras e frias, quentes e fortes e foi feliz assim. Um dia, deixou-se ficar, ficar, ficar e, quando deu conta, já estava a dormir. As ervas, daninhas e felizes, cresciam à sua volta, dentro de si e... a pouco e pouco foi-se transformando numa montanha de pedras e de vegetação verde viçosa e... pedras. Ora, o Vulcão, mesmo adormecido, achou que aquilo não era vida, mas não tinha força para rebentar again. Estava demasiado frio... Ele morava numa ilha. A Terceira a contar do Sol. Passaram-se muitos anos, até que um dia resolveu que aquilo não poderia continuar assim. Só ficava e pensava. Só estava em paz e nada fazia... Não sabia como rebentar... Pensou, pensou, pensou até que começou a deitar fumo. Deu-lhe uma enorme vontade de sorrir e a alegria fê-lo acreditar que voltaria a ter a força de verdadeiro Vulcão. Ele inquietou-se, pois só deitava fumo durante semanas... Cheirava a enxofre à sua volta, mas... nada de magma... apenas rochas negras do passado. Foi-se deixando ficar, onde estava e achou que nunca conseguiria sair dali... perdeu o ânimo e ficou-se pelas reticências da beleza, das aparências de paisagem e todos se esqueceram da força que outrora fora. Apenas admiravam a sua aparência...

Eli

:)

sábado, março 25, 2006

PeixeS

Salvador Dali (again)

Quem for peixe, como eu, sabe o que é ser consumido e consumir-se até à espinha...
LOL
:) (:
Eli
:)
P.S. Mais logo escrevo o post! Eh eh!!!

quarta-feira, março 22, 2006

...Deslizo

...Profundamente, deslizo

Entro em transes absurdos

E sussurro um sorriso

Viajo como palavras em filmes

E gosto do cinema em série

Voo um pouco, flutuo

Vejo-me em câmaras escondidas

Em corações enclausurados

Em cobiças escondidas

Intuitos calados

Por mordaças invisíveis,

Transparecendo o que não foi

O que não fui, o que não foste,

O que sou e não

Deixei de ser

...

Volto-me, afável e viro cada página ateando fogos

Com uma sede de viver absoluta de águas frias

E os verdadeiros homens não são iguais

Apenas os sintomas são análogos

De mortes e magias

Demais...

...

Deixei de ser

O que não sou e não

O que não fui, o que não foste,

Transparecendo o que não foi

Por mordaças invisíveis,

Intuitos calados

Em cobiças escondidas

Vejo-me em câmaras escondidas

Em corações enclausurados

Voo um pouco, flutuo

E gosto do cinema em série

Viajo como palavras em filmes

E sussurro um sorriso

Entro em transes absurdos

Profundamente, deslizo...

Eli

:)

segunda-feira, março 20, 2006

Criador

Ora, nem sei falar sobre quem cria, sobre quem proteje, sobre quem exercita, sobre quem elege... mas sei falar de mim. Não criei ninguém. As minhas ideias são de outros que não foram escritas deste modo e ser original era inventar palavras com as letras que alguém inventou através de alguém que já tenha criado material para isso... afinal, nós somos todos um, não devemos isso, mas... e, com o mínimo de inteligência, damos conta que algo novo feito por nós, precisa de outrem, pois, por mais individualista que eu seja, nunca faço mesmo nada sozinha... é impossível, pois utilizo tecnologia que outro inventou, uso palavras que aprendi...
O Criador. Não o defino. Mas, penso em quem cria outro alguém dando de si a essa pessoa... Os criadores definem o nosso futuro... somos criaturas criadas...
Afinal eu sou apenas mais uma a tentar incutir ideias em crianças, que nem sempre reconhecem valores, que não se dão conta de se existirem como seres portadores de ideias próprias... afinal a personalidade de cada um é um conjunto de vivências que se associam a uma herança genética...
E Ele pega no seu filho, cria-o para que prossiga sozinho, mesmo que caiam lágrimas...

Eli

:)

quinta-feira, março 16, 2006

Distância profunda (again)






Copiar sentimentos em câmaras escuras
É coisa que desconheço de ti
Saberes o que pensas e o escreves
É um mal de muitas curas

Rebentar com o óbvio ocupacional
De tréguas quotidianas escolhidas
É ser e não ser ao mesmo tempo
A forma de viver este tão imenso mal

Danças de roda que não existem
E romances nunca mais escolhidos
Capacidade de viver assim
Ao som dos teus e dos nossos ouvidos

Capacidade de se divertir com tão pouco
Conseguir rir e fazer rir
Numa tristeza nunca mais imaginada
És aquilo que conseguir

Em palavras descansadas da solidão
Soletras nomes e a saudade
De alguém que nunca se teve no coração
Mas que rasgou a amizade...


Porque sim. Apeteceu-me. Existem tantas sensações que voltam... palavras que possuem tempos e... as pessoas mudam, mas as almas são tão...

Eli

:)

P.S. Editado a 2005.05.29 neste blog.

Porque sim.


Apeteceu-me.
:)


Eli

:)

terça-feira, março 14, 2006

CARPE DIEM



Eli

Até parece te te importa
Ó tu que me lês diariamente
Que me consegues conter nas veias
E decifrar os centímetros da minha alma

Sou feita de uma espírito sem continuação
Apenas início e fim,
Com sua existência própria e determinação
Daquilo que sou... rasgos de mim.

Que mais importa?!
Ao "Eu"... mortalhas acendidas na vitória?!
Não, isso não.
Basto "Eu" que me deleito na memória

Aprisionada num corpo
Quarto de século
Peixes de natureza incessante
Neste contínuo rebolar... neste espaço

Onde palavras brilham em olhos de fé
Onde sou nuvem em tempestade
Nunca me senti bebé
Nem bebi das águas da saudade

Mas, hoje, rendo-me à evidência ambígua
Plena de beijos profundos
Onde me abraçam almas vindouras
E... benvindos aos meus mundos

Escrevo para vós que me comentam
Que me registam uns olhares no livro
Que deixei aberto
E assim permanecerá, por certo.

Hoje é noite de festejar o meu sorriso
É padecer de palavras próprias
É revelar de mim o que for preciso
E... sentir cada segundo.

CARPE DIEM

Nesta vida e em todas as outras...



Eli...

:)

Post Scriptum: Mesmo correndo o risco de perder visitas, resolvi publicar uma foto do meu aspecto parcial físico... Há coisas que só mesmo no dia do aniversário... (lol)

:)

domingo, março 12, 2006

Rain


Os meus passos eram breves. Caminhava nessas calçadas incertas das ruas já tão calcadas, escuras, talvez perigosas... mas eu, prosseguia. Sentia no meu corpo a energia da alma e esvoaçava através da mente, para um lugar, onde as minhas garras não conseguiriam chegar. O mar à volta não era visível, mas a humidade transborda a cada respirar. Debaixo do guarda-chuva, um homem olhou-me, sorrateiramente, mas não era ele que eu queria ver. Caminhou à minha frente e eu ignorei-o. Eu. Aparentemente só, quis que a chuva me enterrasse na sua existência. Cada som de cada gota, substituía o som do mar que não ouço. Cada narina inalava os cheiros de uma cidade velha e minha. Sempre. Até que, um dia, acabe. De soslaio, roupas velhas dão vida aos hábitos de sentir e, com pesar, retorno às palavras fugidias... entregando-me em braços aos que me vêm visitar... este espaço tornou-se parte de mim e a decadência não há-de culminar. Os olhos de quem me vê como sou, farão sempre parte do meu olhar... Gosto do desconhecido, do mistério, mas "a minha inteligência dá cabo de mim". São sonhos. Nunca pesadelos, mas... não posso ignorar a sua natureza. Dou à lógica de beber e ela sacia-se no alimento da razão, porque a minha alma sente-se completa, só, e banha-se na ausência.
Eli
:)

quinta-feira, março 09, 2006

Eu

(...)


Na jangada deixei-me ir... largada. Em cada pedaço de mim, senti os remos que me fariam lutar, mas nada... nadei?!
Os sons da minha escrita rimavam como poesias cerebrais, como a inspiração que já não tenho, mas terei.
Até as palavras me faltam e essa escassez me faz nutrir um sentimento de profundo desejar de solidão, que sempre gostei.
Simplesmente ficar... assim.
Fechar os olhos. Não sinto ansiedade, não me sinto elevar, mas senti este dia simpático que o meu interior aceitou. De volta, o mesmo Eu. Aquela mulher, menina, humana... sou Eu outra vez que escrevo aqui. De resto, não há lágrimas, não há êxtase, não há sonho, nem flutuar com a espectativa.
São coros de vozes que me trazem a vontade de voltar a ser Eu, saindo um pouco da Eli...
Sei que "posso sempre recomeçar" e que me identificarei sempre com estas emoções que me fazem vibrar.
Hoje, alguém que está longe de todas estas palavras deste espaço, enviou-me um postal que dizia(diz):
"Nunca nos desesperaremos em busca de Amor ou de Compreensão se tivermos um Amigo."
E, nestas palavras, vi e revi-me como o Eu que reconheço lá fora deste espaço. Acertou naquilo que mais sou. Minha personalidade exposta e eu sorrio, porque sou naturalmente assim.
Eli


:)

(Na imagem não sou eu.)

segunda-feira, março 06, 2006

Chama

Salvador Dali
Chamas por mim... clamas a chama... chamas...
Manter viva a chama da esperança... numas velas que acendo nessas ruas que percorro com pés descalços, calçados, agudos, imaginários, meus, fortes, calejados... mostrei-me em cima de castiçais, quando não queria que me vissem arder. Senti que tudo tinha passado, mas não consegui esquecer. Estás ainda em mim. Adormecido, mas não esquecido. Gostaria que, por uma vez, a luta não fosse só minha... esperar que lutes por mim é uma saída tenebrosa, mas não temo. Aos olhos do impossível, o acreditar acendeu fogos de solidão... no teu olhar, não sei que desejar senão... perco-me em sinfonias de palavras embaladas... embalas-me, tu sabes... eu gosto e inspiro-me... nascem folhas, onde havia fogo... não perdi, transformei... não sei em quê, mas... há tanto que nunca soube e não foi por isso que não me deleitei... versos gemi, gritei... e tu sentiste, tu ouviste... e, em cada poema haverá sempre uma verdade escondida, entreoalhada, capacitada, sonhada... e devolvo ao chão as minhas pegadas. Sinto-me na Terra. Se flutuo... isso só se não for sozinha... Passo a passo, em cada pedra fui andando... mas há passagens que não passo sozinha... marco o meu trilho no horizonte escuredido, mas nunca apagado. Sou eu. Sim, com toda a força, com a luta que não reconheci em ti, em mim... somos nós naquele caminho que a chama anunciou. Sei que não o vivi sozinha... e sabe tão bem sentir... simplesmente as lágrimas que poderei derramar serão de romantismo e música e... lá em cima, o céu é azul. De onde estou, tudo parece tão.. sempre... denso... mas, lá em cima, o céu é sempre azul. Só não sei flutuar sozinha.
Eli
:)
Flutuas comigo?

sábado, março 04, 2006

Desisto?!

Salvador Dali



Passos e olhos.
Podemos mudar, mas podemos desistir?
Escrevo sempre à noite...
Numa luz
Ténue, que não me guia,
Apenas seduz...
Horror!... Eu... a escrever de dia!
Mordo com bicadas a minha imaginação...
Idealizo um chão frio que me possa arrefecer o coração.
Ando assim...
Será que desisto
Será que insisto?
Que queres afinal?

Envolveste-me numa teia fatal...
Quero-te saciar os desejos incólumes
Sugar-te a parte mais à deriva da alma
Transmitir-te a minha tempestade calma
Alada de rastejantes
Suprimida pela dor
Perder-me em abismos
Como o do ....


Eli

:)

Já viste onde assentam as pedras com as quais edificaste o chão?

Desistir? Eu não.


sexta-feira, março 03, 2006

Assim...

Esculpi alguns versos
Na minha alma redonda, capaz
Que, como eu, sorri tantas vezes
Umas, meu corpo não permite
Outras, a ausência de beleza não traz...
Inspiro-me nesta Eli...

Deito-me sobre as guitarras que me tocam nas mãos da alma... Deixo-me ir, fugitiva nas asas de pássaros negros que me sussuram à janela... eu vou... viajo nesse Oceano nocturno. Flutuo... Escura é a minha tentação. O preto é um lugar que me convidou a ficar. A morte já venceu tantos corpos, mas, que é feito das almas? Estará o meu espírito apreendido neste corpo? Deixei-me levar pelas tentações carnais de uma vida sedutora passada?! Não sei... Penso e sorrio. Penso em tudo. Não há tabus para os meus horizontes. Não cabe em mim, a minha própria inteligência. Então, dou-me. Mesmo que iradie luz, masmo que o meu sorriso ilumine faces, provoque angústias, mesmo que... numa noite de tunas, o cheiro ao negro das capas me assalte o coração desse sentimento que não ousei sentir - saudade- hmmm... Snifei-lhes as vozes e sonhei que me davas essa mão da alma. Sinto. Mas não sinto o sofrimento. Sinto a paz. Sinto que vales a pena cada palavra, cada pensamento, cada hora, mesmo que essas não tenham sido usadas comigo... Estou aqui, my dear. Então, as montanhas ficarão da cor dos teus olhos e o mar será como o teu sorriso... que brilha com o barco ao passar... ai, esse mar que já cantei tantas vezes e que já falou comigo, que já ousei desafiar... Passeei-me por matas que só tinha visto em filmes e em sonhos a dormir. Não existem pesadelos! E estavas lá também. Sempre que estiver eu, estarás comigo... Neste momento, apenas isto. Sentir... Assim...

Eli

:)

quarta-feira, março 01, 2006

Sofrimento



Caem lágrimas no silêncio
Gotas quentes que não sei decifrar
Vão uma a uma sem fogo que as possa apagar
Nesse abismo profundo onde te consegui encontrar

Ansiedade de quatro paredes
Fechadas em túmulos de solidão
Bebo de palavras
Mas também bebe o meu coração

Ninguém me mandou sonhar
Culpa minha
Pensar que posso sempre recomeçar

Merda de vida, de sentimento
De sensibilidade, de mim...
Abriste as portas do meu sofrimento
Mas tinha que ser assim...

Vi a luz, mas tinha MEDO de a desejar
Angústia que não consigo exorcisar...

Eli

:') (...)

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Tão...


Era assim que pensavas que ias ficar?
Vou-te levar...

Não há cores, não há sabores,
Nem cheiro, nem flores...

Não importa. Há mar.

Em tantas noites em semelhantes a esta,
Num passado longínquo,
Me percorri pelas vibrações...
Das ondas sonoras
Da solidão,
Pelas sensações
De ilusão.

Embalaste-me ao som de uma música... de olhos fechados...
Já te sentiste paralisado com o sentir profundo?!
Transformaste o meu mundo.

Andas com um sorriso parvo, contido...
Demorado, meu e brilhante...
Rasgado e entre humanos escondido...
Inteligente...
Forte, tépido e querido...
Tão...

:)

Eli

:)

domingo, fevereiro 26, 2006

Medo


Eu não sei muito bem o que se passa com a imagem e com a inspiração...
Com o sorriso e com o sonho...
Mas, nem queria esta sensação...
Nem passar pelo incógnito medonho.

Revejo-me num passado semelhante
Assusta-me o meu olhar
Entras na minha vida de rompante
E... eu... tentei negar...
No entanto, sorrio e rio e... mar.
:)
Eli
:)

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Pedras

Imagem de Eli

Como descrevo a sombra do vazio...?
Como edifico um chão frio...?
Era uma vez um homem. Alto, moreno, ora sério e triste, ora sempre com a piadinha inteligente na pontinha da língua!!! À sua volta todos se perguntavam o que pensaria aquele enigmático homem. Tão misterioso, tão senhor das suas próprias filosofias. Carregava no seu corpo o peso do sentir, do pensar, das vitórias, que, apesar de conseguidas, não lhe aliviavam o peso da alma.
Quase todos os dias subia uma montanha. Só. Gostava de sentir o silêncio e tomar o espaço como seu, deixar-se envolver pelas sensações... Queria libertar-se de seus pensamentos, por um momento que fosse, deixar o chão de terra negra que pisava, mas sentir o céu. Sem saber porquê, começou a atirar pedras... Atirava sempre pedras daquele lugar... quase deserto... Elas rolavam por entre árvores, orvalho, erva, flores, pesadelos, lágrimas... mas, nunca se conseguia libertar...
Era uma vez uma rapariga triste, cabisbaixa, mas apenas nas horas da solidão. Quando acompanhada, sentia em si uma alegria imensa e fazia rir os que a rodeavam... Era alta, sorridente, gorda, intuitiva... Um dia, nas horas de solidão, foi caminhar nas calçadas de terra batida do lugar limitado que podia percorrer.
De repente, sente uma rocha a bater-lhe no ombro. Era ligeiramente pequena, mas sentiu-a com tanta força, que tombou. Quando olhou à volta para ver de onde teria vindo, apenas encontrou chão. Pedras.
Via sempre as pedras com formas semelhantes e algumas voltaram a acertar-lhe enquanto se deixou estar. Queria saber quem as atirava... mas apenas via uma sombra.
Voltou no dia seguinte e no outro e todos os outros... Esperava horas naquele lugar, à espera de ler nas rochas o presente, enquanto pensava no passado, porque de futuro não era ela feita, apenas de sonhos.
Se são pedras, então gravas o que escreves.
Eli

:)


quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Enigma

Dali


Decifra-me...
Enquanto abotoo as emoções
Enquanto, em tempestades e olhares, me abraças
E...

Decifrarás...
Mais do que reacções
Mais do que letras, transparências, reticências e desgraças
E...

Decifraste...
Minhas passadas paixões
Meus sonhos que abandonei, tantas vezes, às traças
E...


Eli

:)

domingo, fevereiro 19, 2006

Escuro




A cada pequeno passo que dão os meus olhos, a brilhar...
Atrás de coisas pequenas, a fugir...
Encontro onde me refugiar
E cada pálpebra reconhece o teu sorrir.

Há dias em que no claro, vejo o negro...
Onde me saciar.

Encontro-me, em almas, que Alguém me enviou
Para que meu caminho não seja apenas uma espera
O que eu vejo... lugar onde estou
Mundo meu... a quimera.

Do frémito, vibram as cordas...
Não as que apertam, mas as sonoras
Livres... ousadas de veemência...
De... arrebatadora eloquência...
Soltam-se âncoras nas horas
Ausentes de ti.

De impulsos sou feita.
Não sou esguia, nem perfeita.
No silêncio desta página negra
Entoam-se melodias aos ouvidos
És alma que encerra sem regra
Os suspiros esquecidos.

Eli

:)

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Expiração




Não! Não aguento mais este sufoco!
Por que me agarras o coração?
Por que o apertas
Não vês que está oco
De rastejar na solidão?!

Não tenho palavras certas
Vejo um sol que não tem cor
Vejo uma maré que não tem ondas

Cortei o sentimento de dor
E levei a tua música pequena
Pelos espaços que sondas

Não estou aí, mas minha presença se deixa bater
A cada levantar de pano, a cada cena
Sou actriz de palavras que pecam em vão
Que se inspiram e me fazem corromper!...


E... esvais-te assim, numa evaporação...
Constante, qualquer, contigo.

Terás o nome do meu abrigo?!

Eli

:)


Escrito ao som de "My Immortal" - Evanescence.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Mania

Andei-me a "armar em difícil" para não ceder a esta onda... mas, hoje, resolvi ceder ao desafio, pois também me apetece! Depois de ler o Corvo Negro que escreveu um post tão... acerca das suas manias, resolvi escrever também e partilhar, como tenho vindo a fazer (embora de outra forma ultimamente)...

Bem... quando me perguntam algo sobre mim, costumo responder mesmo "Isso Agora... :)"... esta é uma mania que não vou incluir nas seguintes, porque senão nunca mais saía daqui!!!

Desafio > Manias

Proposto pela Butterfly

Regulamento: «Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que o diferenciem do comum dos mortais. E, além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.»

Então estas são 5 das minhas manias:

1 - Dar cotoveladas/ agarrar o braço de uma pessoa quando vou na rua com ela (isso só acontece com duas ou três pessoas);

2- Quando chego a casa, visto logo uma roupa confortável (calçar os chinelos...);

3- Mania das surpresas;

4- Absorvo os sotaques das pessoas e/ou tiques das pessoas, porque tenho a mania de imitar (principalmente a pronúncia);

5- Quando vou a casa de alguém, tenho a mania de bater à porta de forma invulgar (ou estou sempre a bater, ou arranjo um ritmo qualquer);


Agora é a vez de lançar o desafio a mais 5 bloguistas:
- Antonior (Red grine and Blu);
- Clife (Blog do Clife);
- Dreamer (Imensidões);
- Fernando Vasques (O Meu Mundo)
- Santinha (Então vá!!!);


Bem, se não aderirem, não me vou zangar... Só propus estes nomes, porque faz parte!...

Também tenho a mania de dizer "deves ter a mania"!!!

Eli

:)

sábado, fevereiro 11, 2006

Mimo


Dentro da minha mente, os pensamentos voam a cada segundo... Volto-me e não vejo nada... Sei que está lá algo, mas todo o passado se envolve no nevoeiro característico... Queria sair de mim, para depois voltar e me contar como tinha sido. Quero que meu corpo continue aqui, a seguir o que está previsto e planeado, mas, preciso que a minha mente alcance descobertas maiores. Este lugar é pequeno para mim... Ou serei eu demasiado exigente?!

- Eli, matas-me a cada carta que me escreves... Matas-me aos bocadinhos. Escreves letras, como se fosse música a matar a sede à orquestra... e esses dedos percorrem olhos, boca... e as cordas da guitarra em que tocas silêncios que te quero sentir... e matas-me... matando-me cada vez mais... Por que é que me pertences e não te posso ter?

- Podes tudo.

- Por que é que te escrevo sempre pela manhã e tu só te diriges a mim à noite?!

- Não me dirijo. Tu diriges cada palavra que te envio.

- Eli... sabes o que...

- Sei.

Eli

:)

.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Paz

Salvador Dali

Ainda não sei tantos motivos de meus passos
Mas sei que sinto uma paz
Sei que me revejo nos meus traços...
Sei do que sou capaz...

Trago força que me fará viajar
Nesta vida triste, alegre, sentida
Entreguei-me ao mar
Que, simplesmente, é a minha vida...

Era uma vez um sonho... realizá-lo?!
Não... os sonhos ficaram no passado!
Morder âncoras... esperá-lo?!
Só depois de ter embarcado!

Imaginas o mundo sem imaginação?!
Flutua naquilo que não vês
Deixa-te levar na inspiração
E naquilo que apenas crês.

Depois... o vento enviou-me o guia...
E...
Acreditei no que não via...
E...


Eli

:)

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Não sei...

Foto de Eli

Não sei bem porquê...
Não sei porque é que sinto uma manhã como se não existisse, não sei porque sinto uma mancha na minha levitante e constante felicidade... Não sei o porquê da minha forma estranhíssima de ser... e não sei o porquê de quem não me pode compreender...
Passo horas a fio tentando descodificar os sinais que já me enganaram outrora... Aquelas coincidências que me disseram que o Amor vinha aí, mas, afinal, era - outra vez - o coração a sonhar sozinho com a capacidade de voar sem asas. Não quero asas. Já voei com elas. Não gosto de voar, agora. Só queria flutuar... às vezes consigo lá chegar com uns sorrisos que nascem de mim, vindos de pessoas que não me deixam descer mais.
Quero um pedaço de nada para transformar em tudo e, quando falei em "ti", em "tu"... não sei... também... again...
Volto, de novo, a pisar espaços, a tentar algo que me leve para a mesma forca... Mas, não sinto. Não consigo. Anseio mais os medos que as realizações.... e, antes dos medos chegarem, já estou a especular o SENTIR. Sinto, mas não sei.
Perco-me em fotografias que recolho dos momentos de solidão em que estou acompanhada... desnudo-me perante palavras e sentimentos e lágrimas e confiança... e não tenho nada do que me preenche no fundo, no sonho... e, se tivesse, provavelmente já não teria... estrago tudo, nem que seja por ter sido como quisessem que fosse. Pois, eu assim sou e assim fico e... Não sei!
Mas... quem me manda tentar saber o que não é próprio da sabedoria... Ah! Por isso é que nunca dá certo... por mais que seja pensadora, nunca...
E... também não tenho o sonho, apesar de sonhar... pouco. Nem sonseguiria deixar de o fazer...
Não existem ondas que me façam voltar a ver o horizonte, porque vejo apenas o mar e o céu. Vislumbro as espectantes nuvens, mas não lhes digo nada. Elas que me digam a mim!
E... às vezes, mordo o lábio e largo umas lágrimas num silêncio que nem os escolhidos têm conhecimento... Não sou nenhuma dessas lágrimas... mas anseio sê-las, porque, ao caírem, cairiam também pedaços de mim que ainda me fazem sentir assim... tão miserável, tão fora da poesia...
E largava aos lábios esta última gota...
Veria então... um pôr-do-Sol não só meu e dos que me querem... mas de um Nós... que teima em deixar-me fora... e... não sei...

Eli

:')

(Escrito parcialmente ao som desta banda sonora http://aladiah.blogspot.com/)

terça-feira, janeiro 31, 2006

Reflexo


Foto Eli

Não escondo eu o que o mar me mostra?!
Como quererei não mostrar o que reflicto?!
Estava mesmo assim... Não era ostra...
Nunca fui pérola... Mas, reflicto...

Queria poder não ser transparente
Queria escolher o que reflicto
E estar sempre sorridente
Nunca fui bela, mas reflicto!

Sabes?! Quero, numa onda me envolver
Assim... Como uma barbatana me sentir
Como um Peixe, escrever
E... sempre assim... a sorrir!!!

Porque... tal como o mar
Volta a reflectir o azul do céu
Lá voltarei a ver reflectido o meu olhar
Que será o reflexo do teu...


Eli

:)

sexta-feira, janeiro 27, 2006

escreverumlivro

Salvador Dali


Nas raízes rasgadas...
Pude escrever...
Encantadas...
Por uma canção...
Dei-me a ler...
Deram-me atenção.

Fui escrevendo este livro aberto?!
Rasurando mensagens proibidas...
Não temi o destino certo...
De verdades escondidas.

Não inspiro confiança.
Não trago azul marinho.
Não tenho aliança.
Nem sei o caminho!

Eli

:)

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O Sol Azul

Podemos pedir que nos sorriam...
Podemos alcançar água...

O Mar e a Terra criam...
Sem dor nem mágoa...
Um Sol de Azul valor...

Como um céu que se espelha no Oceano
Como um deserto de Inferno insane
Como o... opaco transparente de... dor?!

- Não!
Então...
De... ?!

Isso agora...


Eli

:)

domingo, janeiro 22, 2006

A Voz

Salvador Dali


Era uma vez um menino que vivia numa ilha. Ele vivia com os pais, mas com os sonho de um dia sair dali e conhecer outros lugares, outras pessoas...
Logo pela manhã, assim que acordava, mal tomava o pequeno almoço, pegava na bicicleta e punha-se a pedalar para a escola, feliz, pois ia jogar à bola com os colegas e com a professora nova que gostava tanto de lhe fazer cócegas!
Esse menino cresceu. Tornou-se um jovem cabisbaixo. Não sorria, não sentia. Apenas esperava.
Um dia, apareceu-lhe uma borboleta encantada que exclamou:
- Sei que tens um grande desejo!
Ele disse, admirado:
- Como sabes?! Só és uma borboleta!
- Sei, porque eu senti-te triste e vim realizar o teu desejo. Mas preciso de duas coisas tuas, uma é a libertação material - dás-me a tua bicicleta. A outra é uma lágrima tua, com sentimento.
O jovem não quis chorar... quis antes guardar todo o sentimento para ele, muito menos lhe dar o pouco que tinha (a bicicleta).
Passadas cinco semanas, o jovem estava pensativo, a olhar o céu e a lamentar a sua triste existência. Permanecia num lugar alto de onde conseguia ver o mar em todo o seu explendor. Vislumbrava o horizonte e deixou cair uma lágrima.
Dentro de si, uma voz questionou:
- Dás-me o que tens?
Ele respondeu no pensamento... sem proferir qualquer palavra:
- "SIM".
Nesse momento, as cores do céu misturam-se com as cores da terra. O perfume do mar encheu-se de ternura e ele viu aproximar-se aquilo que julgava impossível...
- Aceito, mas se nunca me deixares, Voz.
- Sou a borboleta que conheceste. Estive sempre dentro de ti... mas precisaste de me ver para acreditar em mim.


Eli

:)


(Quando damos tudo o que temos, recebemos muito mais do que demos e não perdemos nada do que realmente já tínhamos...)

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Estrela

Foto de Eli...

Estranho este meu sentir...

Estranho este meu eu... alone... assim...

Acompanhado de tanta gente a sentir

Garras de mim!!!

...

Tentáculos em sorrisos que não posso ocultar...

Sentimentos em salas de janelas altas...

As minhas veias a pulsar!

Em silêncios e falas...

(...)

A minha vida passou neste espaço

Em cinco meses do mesmo sonhar

Agora, sonhos vazios, um abraço

É tempo de recomeçar!

(...)

Tenho tantas páginas brancas por escrever

Tenho tanta alma e coração

Tenho tanto para crescer

Tanta imaginação...

(...)

Vi uma estrela brilhar

E num livro escrever

Um desejo de continuar

A renascer!

.

Eli

:)

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Amigo



Tantas e tantas vezes ficamos apenas a olhar para a nossa vida como ela era, foi e como será!...

Estou bem.

Uma amiga faz anos hoje (dia 18) e venho agradecer a sua presença, assim como dar-lhe os meus parabéns!

Aproveito para deixar um abraço a todos os meus amigos e dizer (mais uma vez) que cada um tem um espaço só seu no meu coração, aquele espaço que fica vazio se não for ocupado pela pessoa que é dona dele!

Reguemos as plantas da amizade!

Parabéns, ranha!

Eli

:)

ranha - s. do verbo "ranhar"; congra.

domingo, janeiro 15, 2006

Morada


Andas com a esferográfica ténue nas linhas brancas e escreves para quem lê?! Ou deixas-me ao acaso para te admirar, apenas olhando para trás?! Sorrateiramente, o vento me bate nos olhos quando avisto o mar todas as manhãs. Mas, teimo em não ver o horizonte que me faz sonhar. Não possuo negro nem branco. O meu coração foi azul em ti e revi-me nos teus gestos. Cada vez que te tocavas, era eu que não queria fazer assim, pois foram traços que não me foram permitidos. Não posso e sei que nunca vou poder, apesar de ainda não o conseguir! És letras em mim, és teclas, és o clique! Vives as manhãs com sabor e eu durmo-as como sonhos que se matam por apenas existir. Agora, estás à entrada da minha porta, mas ela fechou-se, já não está escancarada, nem sequer entreaberta. Não sei se algum dia se abrirá, se não me pedires. No entando, a janela estará sempre lá, porque podes sempre ocupar o lugar de amigo que sempre mereceste. Moro aqui, na campainha do meio... sabes?! Quiçá sonharei muitas mais vezes nestes lençóis de nevoeiro... ou nestas ervas que já foram verdes...
Saboreias as palavras quando queres, quando podes, as que mostro, aquelas que mantenho... Hoje sorrio muito. Alivio o pouco que me faz renascer... a minha alma é esta e não quero outra!
Escrevo cartas daqui e aqui as recebo!
Eli
:)
P.S. Apetecia-me deixar a minha morada!!!