Agora nem nómada, nem emigrante.


segunda-feira, maio 29, 2006

Plim



Plim Plim Plim...

E a música de embalar bebés continua... plim. Era uma vez...

Num país pequenino, num espacinho que ninguém conhecia, uma alma de anjo saiu do corpo de um menino e veio adormecer junto à campa dos sonhos. Ali se deixou ficar...

"Aqui jaz, quem soube dar tudo e continuou a ser cada vez mais."

Não chores. Não circulaste com cuidado, mas viste a tua alma ir e deixaste, porque, em voos profundos quiseste não estar sem sentir, porque te entregaste ao cúmulo do monte quando tudo parecia uma só fantasia e... ama-te a cada sorriso que te dês, e devora-te em cada doença, pois é na cura que está o maior pedaço de terra. A doença é o mar, onde não podes viver com o que tens agora, mas apenas com o que és.

Um dia, criei um guia na mente e olhei-te sempre assim. Ouço-te a contar-me rasgos de orgulho, em que apenas vejo o brilho dos teus olhos... às vezes precisas de três rodas atrás, quando soluças e te sentes pequenino... sim, eu sei... mas, quero fazer o que tiver ao meu alcance e, neste momento, além de te abraçar, também te dou o meu colo, para que repouses... mesmo que não precises, mesmo que não seja o momento de desespero... mas já pensaste que também é difícil apoiar quando alguém está mesmo bem sem o puxarmos para o nível em que estamos. Quando estiveres lá em cima, puxar-te-ei mais para cima ainda! Sê sempre como és e serás cada vez mais feliz*.

Os abismos de cumplicidade são inspirações que se vêm sem olhar...

Eli

:)

P.S. * Frase escrita por mim há alguns anos. Foto foi tirada por mim...

sábado, maio 27, 2006

Companhias


2006.05.26

Não tenho um diário, nem com linhas, nem com argolas, nem...
Hoje aconteceu uma coisa que jamais esquecerei. Foi como um marco. Não, não estou a falar de Amor, nem de saudade, nem...
Estou simplesmente a escrever aqui como escreveria num caderno de capa negra que me persegue e ao qual me entrego sem regras, sem cuidados, sem barreiras, nem tabus... onde sou o todo do eu e tudo o que sentir... onde posso exagerar, sonhar, riscar, chorar...
Hoje não aguentei. Foram tantos meses a corromper o vaso que estava cada vez mais cheio de repressões, de paciência, de aguentar... e... e... nunca transbordava nesse lado. Sempre forte e segura. Sempre. Consegui. Até ao dia em que solucei. Este dia. Tão poucas vezes solucei na minha vida. Lembro-me do descontrolo delas e, talvez por isso, hoje, sinto esta tarde, aquele momento, como um sinal de que não consigo tudo com frieza, dedicação, ou trabalho...
As minhas forças sempre me pareceram ilimitadas quanto ao controlo de emoções. Mal ou bem, consegui sempre manter aquele lado... e os outros...
"Desculpa"
Não, não quero desculpas de quem me magoa todos os dias. Eu... sempre soube receber novamente de ouvidos atentos e sorriso no olhar. Minha voz amável e serena não é para quem não a merece. Será ignorado mais do que nunca até que sinta a minha falta e também soluce.
E... quando olho à volta e vejo duas dezenas de sorrisos... uns ocultos, outros evidenciados, sofrendo comigo, mas sorrindo, dou-me conta de tudo o que tenho que aprender... mesmo que não possa ser natural, serei sempre eu mesma em tudo o que faça... mesmo que sofra.
Evidencio os laços que me unem a eles e a duas meninas (grandes) que fazem parte da minha vida mais do que imaginam... a elas e a todos eles, o meu agradecimento. Hoje é só assim, mas é muito de mim e pouco de Eli.
Junto a mim,
No esplendor da sua presença
Está cada alma... assim...
Embrulhada em cada trança
Mimada por beijinhos
Em cada bola jogada
Esquecendo beicinhos
Não quero objectivar mais nada
Nem mais um tiro na madrugada.
Eli
:)

P.S. Foto tirada por Eli (às amigas).

quarta-feira, maio 24, 2006

Teu rosto



Em cima do sofá,

Com um lápis descalço,

Numas folhas brancas e perdidas,

Desenhei no teu rosto,

Um pedaço de serenidade e nervosismo...

Cada traço a preto, a cinza, a acabar, a ti

Revelavam muito... tanto.

Depois, o teu rosto era estranho

Mas... eu só te via a ti.

Então, risquei outro branco aos bocados

E... num poema ajudado

Senti os teus traços

Em palavras de desejo rasgado

De ternura

De anseio

De bravura

E... abraça-me com esse sorriso escondido...

Afaga-o nos meus cabelos...

Eli

:)

P.S. Desenho por Eli.

domingo, maio 21, 2006

Queria não sentir


Queria não sentir.
Só hoje, só agora, só neste momento em que as veias estalam de tão secas pelo sangue que me é congelado. Mas, mesmo assim, não deixei, ainda, de sentir. Já não há vermelho, nem cores que revelem sopros de vida, mas continuo a sentir. É apens um toque de sinos de sobrevivência, onde rasgo palavras e atiro-as nos becos... não estou perdida, porque me acho em abismos. Se soubesse que a morte era um intervalo, pedir-lhe-ia para me acordar quando chegasse a altura de viver. Não há qualquer gota de sangue que tenha ficado para me mostrar viva... minha pele é um resto de branco sem mais, sem faquear, sem...
Se não sentisse, seria fácil.
"Nem sempre o que quero é o melhor para mim." Disse-me a Susana Rocha, uma vez, concluindo.
Hoje, sinto mais do que nunca que o que quero não é bom para mim, pois baseia-se em contradições estúpidas e sou cruel para mim quando me chego a perder dentro do abismo que conheço... mas mesmo este é mais do que um lugar sombrio. É um espaço onde me deixo flutuar apenas para me lembrar de mim enquanto sonho de sentires... e a fluidez dos líquidos não jorra nesta alma ensanguentada. Morte seca. De que valho sem sangue?!
O progresso da alma é lento devido às regressões.

Eli

:)

sexta-feira, maio 19, 2006

Pedaço de Sonho

Sussurando uma música que ouço, vim só aqui sonhar assim, baixinho, para que ninguém me ouça...
Vem aí alguém...
.
- Eli?! Por aqui a estas horas?!
- Não tenho outras. Estas são minhas.
.
Já estou só eu outra vez... ah! Eu e o sonho...
Uma lágrima vibra na alma, mas não tenho vontade chorar. Há algo dentro de mim que é tão forte e me faz feliz a cada momento...
E chego ao meu espaço e os meus companheiros saciam as respostas às minhas perguntas ténues. Conseguirá alguém ser-me objectivo na alma?
.
Os meus refúgios não são mais que lógicas apenas por mim decifradas e por alguns entendidas que, embora não tenha escolhido, foram escolhidos por Alguém que me entendesse. Hoje, até referia nomes... mas quem poderia não citar?!

Ei! Vou arrancar um "obrigado"
Que tu nunca ousaste ser tão bem soletrado
Mesmo que não me deixes penetrar
Nessa teia tão fina sem partir
.
As suas linhas de seda branca
Serás tu a colocar
Pétalas vermelhas onde eu não cair...
.
Cada porta sua tranca
Não a viste escancarada?!
Nunca esteve, nem por paixão, nem por arte...
.
Só o olhar da "Outra Parte"
Trará o sinal... e será amaldiçoada...
.
...a alma que me amar o âmago.
.
Eli
.
:)


Eu disse que só tinha vindo sonhar!!! Quem me mandou sonhar aos bocados?! Vou sonhar só quando vier aqui... Hmmm... Boa ideia... (I can't)!


:)

P.S. Fotografia por Eli (Lagoa das Patas - Ilha Terceira).
Todos os escritos publicados aqui são da minha autoria, excepto os devidamente assinalados como citações.

terça-feira, maio 16, 2006

Regressos


Não me tenho atirado por abismos

Não tenho recorrido aos nervos para me vestir

Pois a ansiedade esteve dentro de mim

E o negro foi morar num barco a partir

.

Vou pôr a música alta e gritar como quem sente
Vou subir montanhas e não me afectar pela altitude
Quero que desças cá abaixo e me olhes de frente
Sem esperar que esperes de mim, magnitude.

Eli

:)

segunda-feira, maio 08, 2006

Queres?




Eu queria que esperasses por mim
Ansiosamente
Com quem conta os minutos
De um relógio teimoso

Eu queria que sentisses na barriga
Esta impressão de querer
Subtilmente
Passar os dedos pela pele...

Eu queria ouvir passos
E ao virar da esquina
Ver-te a ti
E não à imaginação

... dos teus olhos.

Quero que as tabelas das possibilidades
Não se rejam pela maltratada razão

Quero que gráficos de barras
Sejam baixos em estatísticas de desilusão

Às vezes queria que apenas me fosse gritado um “não”
Em vez de sempre mo sussurrarem
Sem saber ou não...

Mas sei.


23:19 Açores
Eli
:)
P.S. Fotografia por Eli.

quinta-feira, maio 04, 2006

Pensar

.
Deixei de me recordar
Prontamente de cada imagem vista no céu
Deixei de me lembrar
De cada sinal que assumi como meu
.
Parei. Fiquei a pensar....
Simplesmente num sonho que morreu
Mas, o fim não está na morte?
.
Então?! Para quê escrever
Sobre memórias de fado e de sorte?
Então... para quê sofrer
Se cada dia é pedaço de céu
Se vivo comigo...
.
E não devo o meu sorriso...
... nem ao mais belo homem que passe... Amigo,
No entanto, sorri aos belos olhos estampados nas palmas
De cada um que pise o chão
... da minha vida
Rodo um só coração
... em poesia.
.
Poemas dedicados a cada virar de página
E sorrio com a fantasia
De soletrar um verso ao despertar.
.
Eli
.
:)

terça-feira, maio 02, 2006

Azul

Imagem de Eli

Perdoa-me por escrever um poema ajudado cada vez que penso em ti, mas queria que a música não fosse necessária tu, a tua voz... Perdoa-me por te bombardear com pensamentos em mensagens de embalar, só porque gosto de te mimar. Gosto sim...

Não é amor... não é beleza, não é atracção, não é sonho, não é pesadelo, não é um só sentir, não é apenas um pensar... É um abraço que sinto envolver-me cada vez que nos perdemos em estórias... é tudo o que tenho...

Não és um segredo... és um mistério além do tempo e do espaço e... quando me “namoriscas” eu observo-te com um sorriso penetrante que te invade as tuas regras, sentes saudade e queres logo abraçar-me. És estórias repletas de ternura e apetece-me mimar-te assim.

Eli
:)

O fundo azul



Quantas vezes me perco em pensamentos e me lembro de ti e sobre o que me dizes, de como me fazes sentir... No entanto, depois lembro-me de como já me apeguei às pessoas tantas vezes e passei maus bocados devido à minha espectativa... no entanto, da outra parte haverá sempre alguma, que eu, com a minha frieza prezo em dissipar tantas vezes.

Em tudo o que me envolvi me entreguei, sou eu, mas quando me aceitam, não é só à minha alma dissecada do corpo. Além disso, seria impossível não ser composta por aqueles que considero parte de mim. Sou também o que vêem em mim, os sentimentos que têm por mim... sou tantas vezes o meu nascimento e a minha morte em fatias... nunca fui apenas aparência e, agora, sou quase e só interior. Neste interior revelado em palavras, sou um ente, não chego a ser gente... e sou as relações humanas e sou muito mais do que isso, porque a cabeça não me permite apenas um só sentimento, um só coração... que é vadio acima de tudo.

Eli

:)

sábado, abril 29, 2006

Mais!


Salvador Dali

Mais do que um simples toque...
É o sorriso que trazes pela manhã
É a dentada, o olhar e o toque
Que dás nu, numa maçã...

Cores?! Aquelas cores. Nada de paletas.
Talvez o rosa, o qual nem gosto nada
Mas, mais do que estúpidas ilusões ou tretas
Temos as frases sussurradas pela madrugada!

Apenas mais uma quadra neste manto negro
No qual me deito e deleito outra vez
Numa envolvência só minha, que ergo
Estro, eminência, sensatez...

... À inteligência que me consome
... Às palavras timbradas e tolerantes
... Ao momento de soletrar o teu nome
... Aos tentadores e consentidos beijos sufocantes.

Eli

:)

quinta-feira, abril 27, 2006

Abraço!


A minha face destapa-se a cada olhar
A cada um dos teus sorrisos de alma
De cada palavra proferida a pensar
Em mim agitada, serena e calma

Conheces-me assim... num soluçar
De palavras subjacentes ao mimo
És especial, vieste para ficar.

A tua voz sussurrante serena a minha
Num azul de mar que verás comigo
Tal como te pedi em horas tardias
Dás-me a tua mão, meu amigo...

Talvez tua mão não chegue...
E num abraço
Mataremos o tempo e o espaço.

Mais?!

Isso Agora... :)

Eli

:)

P.S. Todas as imagens deste blog, sem identificação, foram retiradas da internet, cujo endereço não possuo.

segunda-feira, abril 24, 2006

Nevoeiro...

Foto de Clifford Ross

Eu again!!!
Parece-te o preto algo que não trago em mim? Brilharei demais neste nevoeiro de tamanha dimensão?! Talvez não. Talvez nenhuma objectiva consiga obter a imagem do meu Eu para ti. Sou tudo o que te escrevi em cartas intermináveis, pois nunca lhes puseste o fim e o meu terminar é sempre um meu sorriso.
Tu...
Reticências de tua alma lançadas supostamente ao acaso. És muito. Enviei-te apenas reticências, porque não saem as palavras quando há tanto. Tudo já fora descrito tantas vezes, mas haverá sempre um poema para escreveres, haverá sempre um sorriso para me enviares, estaremos sempre nalguns lugares só nossos pela forma como nos lembramos deles... Os meus pensamentos estão claros e teus olhos me dirão as minhas certezas... são as tuas verdades e és especial... por mais que possa parecer qualquer outra coisa... as tuas letras resumiraram os passos recatados que permitiste...
:)

O nevoeiro é um ponto
De umas reticências entregues nos meus dedos
Em palavras encontradas
Numa alternância significativa
Entre dúvidas capazes
Entre tomadas de mãos que se partilham

O nevoeiro está denso
Assim... prossigo na obscuridade
Apenas caminho, calma, cúmplice
Aguentando... esses remos que me querem levar
Mas vou... onde só vai...
..."quem não tem medo de naufragar"...

Eli

:)

quinta-feira, abril 20, 2006

Tempo no Espaço


Encontro-me no meio do tempo
Em que escrevo palavras à deriva

Dantes escrevia quando precisava
Agora, neste espaço, a alma está viva
Sempre que me deixo levar
Por músicas
Por cordas de embalar
Por mim,
... pelos que me podem tocar

Podem ser de aço
Ter força para segurar
Poderão permanecer cá em baixo
Sem força para me levantar...

Mas, tanta meditação
Acabará por nunca decifrar
Moedas em espaços
Que não posso pagar

Sou uma meta ultrapassada
... à morada que encontrar
Tenho umas linhas de chegada
Que me podem enforcar!

Trato-me com arrogância
Tantas vezes, só para não acreditar...
Em que, cada palavra, a inteligência
Permanece em gestos, impulsos e no não esperar.

Dantes, desesperada,
Apenas explodia poesia
Em dias de desânimo, paixão, tristeza, cobardia...
Aqui posso permanecer parada.
...
Aqui, soube manter-me, achar-me, desejar-me...
Adoro o feedback... Obrigada.
Em cada vislumbrar de gotas, vou saciar-me.

Pois, só assim consigo sobreviver
Não me deleito apenas em papel e velas arder
Mas preciso, anseio e contorno sempre sentir
Para, em passagens paralelas, conseguir
Este olhar (expressivo e desconfiado) manter
Num triste, mas doce caminhar
Sob bandas sonoras de um sonhar...


Eli

:)

Este Espaço faz um ano dia 20 de Abril de 2006.

terça-feira, abril 18, 2006

Dualidade


Capacidade de sonhar com montanhas cada vez mais altas
Deixar-me levar pelas marés com nomes de meses quentes
Sou pertence desconhecida de conhecidos que são
Apenas energia... mesmo quando na presença me faltas
Mesmo quando tudo é um perpetuar de mentes
Um olhar transversal desvenda partes da minha razão
Não...

Subir à montanha mais alta e procurar respostas.
Ando perdida e não quero ser achada
Cada pista que deixei atrás das costas
...foi por mim apagada.

Apenas me quero e à consciência
Que me liberte para... simplesmente...
Consumir-me
Respirar-me
...

Sem precisar de clemência
Sem matar meu lado exigente.

Eli

sexta-feira, abril 07, 2006

segunda-feira, abril 03, 2006

Lugar de sempre...

Foto de Eli

Resumidamente...
Parece tão pouco tempo aquele que já circulei
Já me prostrei,
Me esqueci e... efectivamente
Me lembrei...

Quando olho para aquele lugar
Não vejo sempre o mesmo espaço
Nem o mesmo céu
Nem o mesmo encanto do desejar
Nem me puxo pelo braço
Nem sequer sonhei que fosses meu

Trago fantasmas em passados
Pouco lembrados e nada esquecidos
Mas, pediste-me de olhos arregalados
Que te levasse até aos gemidos

De choro, de impaciências,
De acreditar
E de sorridentes crenças
Levo-te ao meu mar

Porque assim o desejaste.
E...
Não quero ir sozinho...
Sabes os versos que cantaste
Anseio ouvi-los de mansinho...

Eli

:)

sexta-feira, março 31, 2006

Ergue-te

E... no tombar dos sinos
Badaladas serei
E... ao chegar o fim,
Silêncios romperei

Não me fui embora,
Ainda.
Não me deixaste

Numa das pressões do fantasmagórico cenário
Fingi-me bela... alma poderosa

No chão te prostraste
Abusando do abecedário

Para que a poesia moribunda e manhosa
Me obrigasse a ver cor

Andando em círculos...
À volta de
"não"
Apenas esse tambor
Tocaria vezes sem fim
Para eu acreditar na recusa do Amor
O que um anjo deleita
Sofre, mas rejeita.

Sabes da tua alma feminina... de amigo...
Sei eu, mas não conto, nem a ti
Pois, esse caminho que faço contigo
Escolheste caminhar sozinho

Quando as lágrimas o forem
...essas que não vês, sente-las.
Quando me deixares cartas embalsamadas...
Saberás, no sentir, que a entrega pode ser maior
Mesmo não engendrada nome do Amor.


Eli

:)

terça-feira, março 28, 2006

O Vulcão



Era uma vez um Vulcão. Um dia entrou em erupção, explodiu força e fogo, cuspiu rochas negras e frias, quentes e fortes e foi feliz assim. Um dia, deixou-se ficar, ficar, ficar e, quando deu conta, já estava a dormir. As ervas, daninhas e felizes, cresciam à sua volta, dentro de si e... a pouco e pouco foi-se transformando numa montanha de pedras e de vegetação verde viçosa e... pedras. Ora, o Vulcão, mesmo adormecido, achou que aquilo não era vida, mas não tinha força para rebentar again. Estava demasiado frio... Ele morava numa ilha. A Terceira a contar do Sol. Passaram-se muitos anos, até que um dia resolveu que aquilo não poderia continuar assim. Só ficava e pensava. Só estava em paz e nada fazia... Não sabia como rebentar... Pensou, pensou, pensou até que começou a deitar fumo. Deu-lhe uma enorme vontade de sorrir e a alegria fê-lo acreditar que voltaria a ter a força de verdadeiro Vulcão. Ele inquietou-se, pois só deitava fumo durante semanas... Cheirava a enxofre à sua volta, mas... nada de magma... apenas rochas negras do passado. Foi-se deixando ficar, onde estava e achou que nunca conseguiria sair dali... perdeu o ânimo e ficou-se pelas reticências da beleza, das aparências de paisagem e todos se esqueceram da força que outrora fora. Apenas admiravam a sua aparência...

Eli

:)

sábado, março 25, 2006

PeixeS

Salvador Dali (again)

Quem for peixe, como eu, sabe o que é ser consumido e consumir-se até à espinha...
LOL
:) (:
Eli
:)
P.S. Mais logo escrevo o post! Eh eh!!!

quarta-feira, março 22, 2006

...Deslizo

...Profundamente, deslizo

Entro em transes absurdos

E sussurro um sorriso

Viajo como palavras em filmes

E gosto do cinema em série

Voo um pouco, flutuo

Vejo-me em câmaras escondidas

Em corações enclausurados

Em cobiças escondidas

Intuitos calados

Por mordaças invisíveis,

Transparecendo o que não foi

O que não fui, o que não foste,

O que sou e não

Deixei de ser

...

Volto-me, afável e viro cada página ateando fogos

Com uma sede de viver absoluta de águas frias

E os verdadeiros homens não são iguais

Apenas os sintomas são análogos

De mortes e magias

Demais...

...

Deixei de ser

O que não sou e não

O que não fui, o que não foste,

Transparecendo o que não foi

Por mordaças invisíveis,

Intuitos calados

Em cobiças escondidas

Vejo-me em câmaras escondidas

Em corações enclausurados

Voo um pouco, flutuo

E gosto do cinema em série

Viajo como palavras em filmes

E sussurro um sorriso

Entro em transes absurdos

Profundamente, deslizo...

Eli

:)

segunda-feira, março 20, 2006

Criador

Ora, nem sei falar sobre quem cria, sobre quem proteje, sobre quem exercita, sobre quem elege... mas sei falar de mim. Não criei ninguém. As minhas ideias são de outros que não foram escritas deste modo e ser original era inventar palavras com as letras que alguém inventou através de alguém que já tenha criado material para isso... afinal, nós somos todos um, não devemos isso, mas... e, com o mínimo de inteligência, damos conta que algo novo feito por nós, precisa de outrem, pois, por mais individualista que eu seja, nunca faço mesmo nada sozinha... é impossível, pois utilizo tecnologia que outro inventou, uso palavras que aprendi...
O Criador. Não o defino. Mas, penso em quem cria outro alguém dando de si a essa pessoa... Os criadores definem o nosso futuro... somos criaturas criadas...
Afinal eu sou apenas mais uma a tentar incutir ideias em crianças, que nem sempre reconhecem valores, que não se dão conta de se existirem como seres portadores de ideias próprias... afinal a personalidade de cada um é um conjunto de vivências que se associam a uma herança genética...
E Ele pega no seu filho, cria-o para que prossiga sozinho, mesmo que caiam lágrimas...

Eli

:)

quinta-feira, março 16, 2006

Distância profunda (again)






Copiar sentimentos em câmaras escuras
É coisa que desconheço de ti
Saberes o que pensas e o escreves
É um mal de muitas curas

Rebentar com o óbvio ocupacional
De tréguas quotidianas escolhidas
É ser e não ser ao mesmo tempo
A forma de viver este tão imenso mal

Danças de roda que não existem
E romances nunca mais escolhidos
Capacidade de viver assim
Ao som dos teus e dos nossos ouvidos

Capacidade de se divertir com tão pouco
Conseguir rir e fazer rir
Numa tristeza nunca mais imaginada
És aquilo que conseguir

Em palavras descansadas da solidão
Soletras nomes e a saudade
De alguém que nunca se teve no coração
Mas que rasgou a amizade...


Porque sim. Apeteceu-me. Existem tantas sensações que voltam... palavras que possuem tempos e... as pessoas mudam, mas as almas são tão...

Eli

:)

P.S. Editado a 2005.05.29 neste blog.

Porque sim.


Apeteceu-me.
:)


Eli

:)

terça-feira, março 14, 2006

CARPE DIEM



Eli

Até parece te te importa
Ó tu que me lês diariamente
Que me consegues conter nas veias
E decifrar os centímetros da minha alma

Sou feita de uma espírito sem continuação
Apenas início e fim,
Com sua existência própria e determinação
Daquilo que sou... rasgos de mim.

Que mais importa?!
Ao "Eu"... mortalhas acendidas na vitória?!
Não, isso não.
Basto "Eu" que me deleito na memória

Aprisionada num corpo
Quarto de século
Peixes de natureza incessante
Neste contínuo rebolar... neste espaço

Onde palavras brilham em olhos de fé
Onde sou nuvem em tempestade
Nunca me senti bebé
Nem bebi das águas da saudade

Mas, hoje, rendo-me à evidência ambígua
Plena de beijos profundos
Onde me abraçam almas vindouras
E... benvindos aos meus mundos

Escrevo para vós que me comentam
Que me registam uns olhares no livro
Que deixei aberto
E assim permanecerá, por certo.

Hoje é noite de festejar o meu sorriso
É padecer de palavras próprias
É revelar de mim o que for preciso
E... sentir cada segundo.

CARPE DIEM

Nesta vida e em todas as outras...



Eli...

:)

Post Scriptum: Mesmo correndo o risco de perder visitas, resolvi publicar uma foto do meu aspecto parcial físico... Há coisas que só mesmo no dia do aniversário... (lol)

:)

domingo, março 12, 2006

Rain


Os meus passos eram breves. Caminhava nessas calçadas incertas das ruas já tão calcadas, escuras, talvez perigosas... mas eu, prosseguia. Sentia no meu corpo a energia da alma e esvoaçava através da mente, para um lugar, onde as minhas garras não conseguiriam chegar. O mar à volta não era visível, mas a humidade transborda a cada respirar. Debaixo do guarda-chuva, um homem olhou-me, sorrateiramente, mas não era ele que eu queria ver. Caminhou à minha frente e eu ignorei-o. Eu. Aparentemente só, quis que a chuva me enterrasse na sua existência. Cada som de cada gota, substituía o som do mar que não ouço. Cada narina inalava os cheiros de uma cidade velha e minha. Sempre. Até que, um dia, acabe. De soslaio, roupas velhas dão vida aos hábitos de sentir e, com pesar, retorno às palavras fugidias... entregando-me em braços aos que me vêm visitar... este espaço tornou-se parte de mim e a decadência não há-de culminar. Os olhos de quem me vê como sou, farão sempre parte do meu olhar... Gosto do desconhecido, do mistério, mas "a minha inteligência dá cabo de mim". São sonhos. Nunca pesadelos, mas... não posso ignorar a sua natureza. Dou à lógica de beber e ela sacia-se no alimento da razão, porque a minha alma sente-se completa, só, e banha-se na ausência.
Eli
:)

quinta-feira, março 09, 2006

Eu

(...)


Na jangada deixei-me ir... largada. Em cada pedaço de mim, senti os remos que me fariam lutar, mas nada... nadei?!
Os sons da minha escrita rimavam como poesias cerebrais, como a inspiração que já não tenho, mas terei.
Até as palavras me faltam e essa escassez me faz nutrir um sentimento de profundo desejar de solidão, que sempre gostei.
Simplesmente ficar... assim.
Fechar os olhos. Não sinto ansiedade, não me sinto elevar, mas senti este dia simpático que o meu interior aceitou. De volta, o mesmo Eu. Aquela mulher, menina, humana... sou Eu outra vez que escrevo aqui. De resto, não há lágrimas, não há êxtase, não há sonho, nem flutuar com a espectativa.
São coros de vozes que me trazem a vontade de voltar a ser Eu, saindo um pouco da Eli...
Sei que "posso sempre recomeçar" e que me identificarei sempre com estas emoções que me fazem vibrar.
Hoje, alguém que está longe de todas estas palavras deste espaço, enviou-me um postal que dizia(diz):
"Nunca nos desesperaremos em busca de Amor ou de Compreensão se tivermos um Amigo."
E, nestas palavras, vi e revi-me como o Eu que reconheço lá fora deste espaço. Acertou naquilo que mais sou. Minha personalidade exposta e eu sorrio, porque sou naturalmente assim.
Eli


:)

(Na imagem não sou eu.)

segunda-feira, março 06, 2006

Chama

Salvador Dali
Chamas por mim... clamas a chama... chamas...
Manter viva a chama da esperança... numas velas que acendo nessas ruas que percorro com pés descalços, calçados, agudos, imaginários, meus, fortes, calejados... mostrei-me em cima de castiçais, quando não queria que me vissem arder. Senti que tudo tinha passado, mas não consegui esquecer. Estás ainda em mim. Adormecido, mas não esquecido. Gostaria que, por uma vez, a luta não fosse só minha... esperar que lutes por mim é uma saída tenebrosa, mas não temo. Aos olhos do impossível, o acreditar acendeu fogos de solidão... no teu olhar, não sei que desejar senão... perco-me em sinfonias de palavras embaladas... embalas-me, tu sabes... eu gosto e inspiro-me... nascem folhas, onde havia fogo... não perdi, transformei... não sei em quê, mas... há tanto que nunca soube e não foi por isso que não me deleitei... versos gemi, gritei... e tu sentiste, tu ouviste... e, em cada poema haverá sempre uma verdade escondida, entreoalhada, capacitada, sonhada... e devolvo ao chão as minhas pegadas. Sinto-me na Terra. Se flutuo... isso só se não for sozinha... Passo a passo, em cada pedra fui andando... mas há passagens que não passo sozinha... marco o meu trilho no horizonte escuredido, mas nunca apagado. Sou eu. Sim, com toda a força, com a luta que não reconheci em ti, em mim... somos nós naquele caminho que a chama anunciou. Sei que não o vivi sozinha... e sabe tão bem sentir... simplesmente as lágrimas que poderei derramar serão de romantismo e música e... lá em cima, o céu é azul. De onde estou, tudo parece tão.. sempre... denso... mas, lá em cima, o céu é sempre azul. Só não sei flutuar sozinha.
Eli
:)
Flutuas comigo?

sábado, março 04, 2006

Desisto?!

Salvador Dali



Passos e olhos.
Podemos mudar, mas podemos desistir?
Escrevo sempre à noite...
Numa luz
Ténue, que não me guia,
Apenas seduz...
Horror!... Eu... a escrever de dia!
Mordo com bicadas a minha imaginação...
Idealizo um chão frio que me possa arrefecer o coração.
Ando assim...
Será que desisto
Será que insisto?
Que queres afinal?

Envolveste-me numa teia fatal...
Quero-te saciar os desejos incólumes
Sugar-te a parte mais à deriva da alma
Transmitir-te a minha tempestade calma
Alada de rastejantes
Suprimida pela dor
Perder-me em abismos
Como o do ....


Eli

:)

Já viste onde assentam as pedras com as quais edificaste o chão?

Desistir? Eu não.


sexta-feira, março 03, 2006

Assim...

Esculpi alguns versos
Na minha alma redonda, capaz
Que, como eu, sorri tantas vezes
Umas, meu corpo não permite
Outras, a ausência de beleza não traz...
Inspiro-me nesta Eli...

Deito-me sobre as guitarras que me tocam nas mãos da alma... Deixo-me ir, fugitiva nas asas de pássaros negros que me sussuram à janela... eu vou... viajo nesse Oceano nocturno. Flutuo... Escura é a minha tentação. O preto é um lugar que me convidou a ficar. A morte já venceu tantos corpos, mas, que é feito das almas? Estará o meu espírito apreendido neste corpo? Deixei-me levar pelas tentações carnais de uma vida sedutora passada?! Não sei... Penso e sorrio. Penso em tudo. Não há tabus para os meus horizontes. Não cabe em mim, a minha própria inteligência. Então, dou-me. Mesmo que iradie luz, masmo que o meu sorriso ilumine faces, provoque angústias, mesmo que... numa noite de tunas, o cheiro ao negro das capas me assalte o coração desse sentimento que não ousei sentir - saudade- hmmm... Snifei-lhes as vozes e sonhei que me davas essa mão da alma. Sinto. Mas não sinto o sofrimento. Sinto a paz. Sinto que vales a pena cada palavra, cada pensamento, cada hora, mesmo que essas não tenham sido usadas comigo... Estou aqui, my dear. Então, as montanhas ficarão da cor dos teus olhos e o mar será como o teu sorriso... que brilha com o barco ao passar... ai, esse mar que já cantei tantas vezes e que já falou comigo, que já ousei desafiar... Passeei-me por matas que só tinha visto em filmes e em sonhos a dormir. Não existem pesadelos! E estavas lá também. Sempre que estiver eu, estarás comigo... Neste momento, apenas isto. Sentir... Assim...

Eli

:)

quarta-feira, março 01, 2006

Sofrimento



Caem lágrimas no silêncio
Gotas quentes que não sei decifrar
Vão uma a uma sem fogo que as possa apagar
Nesse abismo profundo onde te consegui encontrar

Ansiedade de quatro paredes
Fechadas em túmulos de solidão
Bebo de palavras
Mas também bebe o meu coração

Ninguém me mandou sonhar
Culpa minha
Pensar que posso sempre recomeçar

Merda de vida, de sentimento
De sensibilidade, de mim...
Abriste as portas do meu sofrimento
Mas tinha que ser assim...

Vi a luz, mas tinha MEDO de a desejar
Angústia que não consigo exorcisar...

Eli

:') (...)