Agora nem nómada, nem emigrante.


domingo, janeiro 16, 2011

H






(Imagem sem fonte)




Numa perspectiva futurista, acrescentei mais umas palavras, pitadas de imagens e... e... um sentimento mútuo e profundo.


Todos os dias, caminhava pela praia, sentia a areia debater-se debaixo das minhas botas. Lembrava-me de como gostava daquele mar assim, calmo de Inverno... de como cada brisa fosse um beijo e cada brilho e cada estrela fossem um presente de Deus para mim. Ouvia sempre uma música lá longe. Um dia, aproximei-me do edifício e resolvi entrar. Parecia um bar daqueles... onde nos sentimos em casa. Tinha tanta gente a conversar animadamente! Vi que cada um que entrasse era acolhido pelos outros e as conversas fluiam. Olhei em volta e parecia que se tratava de um sonho. Falávamos para todos e ninguém se conhecia! Ao fazerem-me perguntas banais, fui respondendo um pouco cabisbaixa. Não tinha grandes motivos para me alegrar nesse dia e não estava disposta a fazer o menor esforço. Então, ouvi uma voz... era masculina e chamou-me à atenção pelo seu tom seguro. Parecia um porto firme, como aquele que vira há poucos momentos e que bebia água do mar. Queria saber de mim, das causas do meu estado psicológico. Acabei por não responder, desviando a conversa. Pediu-me que não o olhasse. Assenti. Tudo era tão estranho. Acabei por me sentar no seu sofá gasto, vermelho, junto a ele e ficámos assim. As luzes apagaram-se e todos sairam... Ambos permanecemos, sem nos tocarmos. Trocámos palavras e... quase sem se despedir, saiu. Vi-o de costas e sabia que o iria reconhecer quando voltasse a ver aquela sombra. Será que voltaria a encontrá-lo?!
Fiquei a pensar na nossa conversa, assim como o que aquela voz me tinha feito sentir.

Na noite seguinte, ao regressar àquele mar imenso e suspirar um pouco.... esquecendo um pouco a tristeza com o aroma do sal...

Ao ouvir a música, aproximei-me daquele local e, quem eu queria que tivesse também voltado, estava de costas, sentado numa mesa mais adiante.

Não sabia se era ele. Tive medo de confundir as sombras. A claridade era praticamente nula. Voltei a sentar-me no mesmo sofá, o vermelho. Fiquei ali perdida entre as conversas alheias e a minha vontade de que fosse ele.

H: Boa Noite. Estás melhor hoje?

Suspirou-me ao ouvido.

E eu fiquei logo a pensar que aquele que estava de costas quando entrei, já me tinha visto e dirigiu-se a mim, enquanto eu estava distraída. Colocou-me uma venda e conversou comigo mais uma vez. Não sabia nada dele, apenas a sua respiração e a preocupação me fizeram pensar que seria ele. Poderia não ser, poderia, mas eu senti que fosse.

Não o voltei a encontrar, embora lá tivesse voltado algumas vezes.

Mas, como encontrar alguém que nunca vimos antes?!

Eli

:)

4 comentários:

Gonçalo disse...

Numa perspectiva futura e com mais histórias tenho dificuldade em descobrir os teus limites. Vais longe, miúda!

:)

Beijinhos****

Danii disse...

Amei esse post
Lindo demais
beijinhos ;**

Anónimo disse...

Essa imaginação/inspiração voou alto , Eli. Tão alto que , por uns instantes , pensei se seria inspiração nascida de parte de uma realidade acontecida ou desejada.
Gostei. :)
:))


em_segredo

Ana Carvalho disse...

Olá Eli

Não o vis-te mas sentis-te a sua presença, e assim sendo, não precisas de o procurar porque a sombra encontra-te onde quer que estejas ...

Lindo texto =)

Kiss***