Agora nem nómada, nem emigrante.


domingo, março 12, 2006

Rain


Os meus passos eram breves. Caminhava nessas calçadas incertas das ruas já tão calcadas, escuras, talvez perigosas... mas eu, prosseguia. Sentia no meu corpo a energia da alma e esvoaçava através da mente, para um lugar, onde as minhas garras não conseguiriam chegar. O mar à volta não era visível, mas a humidade transborda a cada respirar. Debaixo do guarda-chuva, um homem olhou-me, sorrateiramente, mas não era ele que eu queria ver. Caminhou à minha frente e eu ignorei-o. Eu. Aparentemente só, quis que a chuva me enterrasse na sua existência. Cada som de cada gota, substituía o som do mar que não ouço. Cada narina inalava os cheiros de uma cidade velha e minha. Sempre. Até que, um dia, acabe. De soslaio, roupas velhas dão vida aos hábitos de sentir e, com pesar, retorno às palavras fugidias... entregando-me em braços aos que me vêm visitar... este espaço tornou-se parte de mim e a decadência não há-de culminar. Os olhos de quem me vê como sou, farão sempre parte do meu olhar... Gosto do desconhecido, do mistério, mas "a minha inteligência dá cabo de mim". São sonhos. Nunca pesadelos, mas... não posso ignorar a sua natureza. Dou à lógica de beber e ela sacia-se no alimento da razão, porque a minha alma sente-se completa, só, e banha-se na ausência.
Eli
:)

32 comentários:

blue note disse...

Gosto do desconhecido, do mistério...mas a minha inteligência dá cabo de mim...

Beijo grande
:

marta disse...

Amor, quatro letras em um significado tão grande,
A meu ver, o "a" primavera em nosso coração do primeiro amor,
O "m" maciez em nossa pele, diante do carinho e do afeto conjugados,
A letra "o" eliminar o orgulho para viver juntos para a eternidade,
E a letra "r"...risonhos dias na cumplicidade e sinceridade....
O amor em si não existe explicações e nem sabemos
o que realmente significa,
É um ato supremo entre duas pessoas afins.
A doação de almas e corpos , vidas que se
tornam um só, perante a eternidade....
Amor....apenas quatro letras
Dominando todo o ser humano,
Levando- o ao altar ou a rastejar o chão.
Porque, amor além de tudo
é nunca precisar
pedir perdão!

Anónimo disse...

Comentar isto é um tremendo desafio!dizer pouco posso pecar por deixar demasiados espaços...dizer muito pode parecer que estou a construir uma realidade demasiado orgaizada e isso pode não ser sentido com a real dimensão...
Sorri.
A minha inteligência não dá cabo de mim mas nem sempre dou à lógica de beber...à alma sempre!!!...isto já chegava para me dar que fazer,não achas?
Gosto de magia que se cria apesar do conhecido,gosto de pessoas inteligentes...fascina-me a imaginação,acho que é uma prova maior de inteligência...e no amor e com ternura é uma coisa do outro mundo,neste...ui que já estou a divagar...e
adoro a chuva,andar à chuva,gosto das coisas de forma natural,de verdade,transparência,pele nua,água...não disse nada?pois...não porque me sinta completa,talvez imperfeição,mas sei para onde vou e posso não chegar,ainda assim e sempre feliz.
E tu,inteligente e desafiadora... de braços abertos,olha só o abraço que te dei,contigo acontece-me ...
jinhos
M

Anónimo disse...

Desculpa sou a Margarida,na verdade M e não anónima,other,sorry!

Santinha disse...

"a minha inteligência dá cabo de mim"
sim senhora, estamos muito á frente!!
Mas n achas que estás a ser um bocadinho, mas só um bocadinho convencida??????
;)

alice disse...

bom dia, cara amiga,
ler-te fez do meu domingo um dia ainda melhor e mais bonito, além de eu estar verdadeiramente feliz hoje,
um grande beijinho,
alice

JL disse...

Um texto bonito, carregado de poesia. Escreves bem. Gosto de ler o que escreves. E comentar nem sempre é fácil. Aqui se conjugam um misto de sentimentos e palavras.
Respira-se o amor, também.
E estes espaços, tantas vezes, se transformam numa extensão da nossa alma.
Boa semana

A.J.Faria disse...

Olá, Eli!
Excelente texto, com uma adjectivação muito rica!
Bjs

isa xana disse...

go desconhecido... admito que me aflige mas é bom não sabermos tudo das nossas vidas, dos espaços, das outras vidas...

*

Cláudia Faro Santos disse...

Fenomenal...Nada tenho a acrescentar...Também eu sinto a minha alma completa quando se banha na ausência...

* da cor do céu

Dark-me disse...

Viver eternamente nos porquês!!!

Comentar-te não é fácil!!:)
jinhos

Dark-me disse...

Conta cmg sempre!!!Até porque adoro ler-te.
Jinhos

Beatriz disse...

terriveis e, ainda assim, deliciosos, esses momentos e respectivas sensações sob a chuva...

Musician disse...

Fazes melodias com as palavras!
Beijo doce*

G u S t A V o disse...

Menina culta, inteligente, que persegue as suas vontades e sonhos(uma raidade hoje em dia :x)..obriagado pelos seus conselhos, fique bem =) Beijo*

Kalinka disse...

ELI
Começas por uma chuva...rain!

Mas, todo o teu texto está belíssimo, ao lê-lo, pareço que te acompanho nessa caminhada...caminhando nas calçadas incertas das ruas já tão calcadas, escuras, talvez perigosas...
Eu. Aparentemente só, quis que a chuva me enterrasse na sua existência.
QUE LINDO...BELA A DESCRIÇÃO...

Gosto do desconhecido, do mistério, são sonhos.
Esta parte final, tem muito a ver como eu me sinto neste momento da minha vida...com uma depressão profunda...porque a minha alma sente-se completa, só, e banha-se na ausência.
ADOREI. Beijokas.

M.M. disse...

Olá Eli!
Gostei muito do teu blog e deste post, está escrito cheio de sentimento.
Muitos Parabéns.
Venho agradecer a tua visita no meu blog.

Bjs.

M.M.

Neith disse...

Chuva, ou gotas de orvalho que resvalam de forma harmoniosa, cadenciada, deixando apurar a essência dum sentir profundo... uma alienação dos sentidos...soberbo este teu texto! Um beijo enorme e votos de uma boa semana :)

spartakus disse...

B'dia, se for. anda tudo a falar do amor, porra...

online disse...

Quem não gosta do desconhecido...
Das palavras escritas em segredo, no sempre.



O beijo

EyeOfHorus disse...

Dificilmente se sentirá confortável na água da ausência, quem na solidão não sabe como banhar-se sem submergir.

miguel disse...

A tua inteligência dá cabo de ti... e de mim.
Só espero que a tua inteligência não morda os sonhos que sonhas.
Por vezes, nem a lógica parece ser mãe da razão... é como tu própria dizes - "sacia-se no alimento".
Que o banho na ausência te rabisque um sorriso.

Marco disse...

Olá!
Vim retribuir o olá, agora estou sem tempo, passo mais tarde...

Clife disse...

E era uma vez...

razão vs emoção, o concreto vs desconhecido, e o sentir-se completo na solidão mas incompleto na ausência... num sentir...

uma luta interior, uma Eli por decifrar ;)

***

Sea disse...

A inteligência, por vezes, em vez de nos ajudar, remete-nos para um patamar que gostariamos de não pisar. Mas, antes ser inteligente, do que permanentemente burra. Podemos sempre atingir um estado de burrice, nem que seja propositada.
Obrigada pela tua visita ao meu Place :)

Marco disse...

Olá de novo!
Estive a ler os teus textos e estão muito bons!
Vou voltar mais vezes...

Um outro olhar disse...

muito bonito, mas nada fácil de comentar.

"a minha inteligência dá cabo de mim"
por isso se costuma dizer que os ignorantes são os mais felizes.
o desconhecido e o mistério, todos somos puxados para lá vai .

"este espaço tonou-se parte de mim e a decadência não há-de culminar"
não deixes que o espaço tome conta de ti, toma antes tu conta do espaço.

:)

Marco disse...

Olhe que não!
Olhe que não!

Diogo disse...

O mar… as doces e quentes sensações a mar, mar este que me abraça pelo horizonte de um desejo.

Como posso eu ser mais? Se a mim ñ me conheço!

Kiss Kiss Ghostwriter

alice disse...

boa noite ;)
vim tarde e todos disseram aquilo que também eu poderia ter dito...
é dificil ser original
na verdade, é falacioso este conceito...
um beijinho,
alice

Eli disse...

Recebi flores!

:)

Eli disse...

Recebi balões (um cão e duas flores)!!!

:)