Agora nem nómada, nem emigrante.


segunda-feira, junho 09, 2008

Calhau

Não é desta margem que falo, nem da outra que já imaginei. Fico calada. Um cão ladra. Entoam na minha cabeça os restos de uma música badalada, já fora de moda, fui morar ali, com o pensamento tão longe, tão perdido. A vadiagem na dor não me pertence, mas instalou-se à rebelia de um analgésico tomado, qual pintarola evervescente?!... As minhas mãos escondem o suor de um tempo que não trabalhou e abarcam dedos ansiosos de leitura menos fugaz, com quilómetros de filosofia no escuro. Apenas. Parar. Sorrir. EH!!! E reparar que as tretas que escrevo dão para fazer esperar um ou dois transeuntes. Páro no passeio e ouço esta música intacta, bebendo licor de cá. Não sou eu. Imagino-me entre paredes e sofás, raspando o chão com paixão, embalando relva e cheiro a mimosas... embalando canções sonhadoras com alguém que ouça aquilo que me arrepia, leia o que escrevo antes de o pensar e se inspire pouco pela manhã.

Eli

;)

Foto e texto de Eli!

:))

3 comentários:

Sorrisos em Alta disse...

Tinhas que falar na margem, não é?
"A PONTE é uma passagem... prá outra margem..."

João disse...

Obrigada por me leres,
pois o que escrevo é somente passagem...
Afinal de contas somos todos sempre alguém, mesmo que não seja de passagem ;)
O poder que temos sobre a escrita,
faz sempre parar alguém,
somos almas inflectidas no mundo irreal que vivemos hoje,
mas é bom saber que existimos ;)
Um beijo Eli ;)

Sorrisos em Alta disse...

Era bom que todos os calhaus que conhecemos pudessem ficar rodeados por água...
;o)