Agora nem nómada, nem emigrante.


terça-feira, maio 07, 2013

Francisco #1







Sábado, 18 de fevereiro de 2012

Acabo de aterrar no aeroporto da Portela. Não sou eu quem aterra, é o piloto do avião. Foi ele, aliás, mas, na verdade, isso não importa nada. Sinto-me inspirada depois desta viagem. Acabo de olhar em volta e vislumbro vários tipos de pessoas, acabando por sentir que são um só. Aumento, o volume do meu mp3. Ouço Damien Rice – “Delicate”. E como é delicada esta minha realidade. Passo os olhos pelas cadeiras azuis. Desta vez resolvi esperar pelas malas sentada. Já sei que demoram. Se passar menos do que uma hora aqui, até estranho… tais são as demoras. Olho em volta novamente, será que devo descrever o que vejo?! Um homem de barba com um chapéu a tapar o cabelo. Moreno, alto, mexe num cigarro que por agora não pode acender. Já o vi coloca-lo na boca por diversas vezes. Será que aguenta sem fumar até sair do aeroporto?!
Ouço um barulho mais forte, qual estrondo. As malas começam a rebolar no tapete. Espero que apareça a minha enorme mala azul, que tem escrita em cima a tinta branc (corretor) “Eva”. Foi a maneira que encontrei para a alcançar com o olhar, ao longe, sem se confundir. Já por algumas vezes pegaram nela e voltaram a coloca-la no tapete rolante quando viram o meu nome escrito. Não falha.
Passam malas vermelhas, pretas, até azuis, mas a minha tarda. Lembro-me de como é normal as primeiras a fazerem cheque-in são as últimas a aparecer no tapete. Por fim… lá aparece. Boa! Desta vez, quarenta e cinco minutos depois de aterrar, já estou a sair. 
Olho para o relógio, antes de vislumbrar a multidão de pessoas que espera. É muito engraçada esta parte. É como se as pessoas que saíssem do avião fossem todas famosas. E são! Somos todos famosos na vida de alguém. Ouve-se a alegria e o espanto das saudações. Vejo um ou dois cartazes a dizer nomes! Como é bom ler cartazes que esperam pessoas. Sorrisos, pessoas felizes. Ultrapasso toda esta dimensão e espero encontrar alguém… mas não encontro. Novamente, sozinha. Saio apenas na companhia da minha música “I can’t take my eyes of you”. Não imaginam qual é a tristeza quando não se tem um abraço à espera. Finjo que sou muito independente, que já estou habituada, como se fosse uma hospedeira. Talvez devesse...

(continua)

Eli













4 comentários:

Nelson Rocha disse...

Ola Eli,

eu não aguentava, arre para aquele cigarro,


bom regresso*

NR

Eli disse...

Hehehe

Imagino! Há quem faça as coisas mais estranhas por causa de um cigarro! :)

Graça Pereira disse...

E porque não tinhas ninguém à tua espera?
Beijocas.
Graça

Eli disse...

Graça

Não sei... Há cada desculpa para isso que mesmo que quisesse responder, perder-me-ia...