Pingas de curiosidades caem junto à minha janela. Não as vi passar, mas ouvi-as, assim de mansinho. Deitei-me junto a almofadas brancas e deixei-me repousar. Uma tarde toda em que sabia de cor cada sonho que poderia ter sonhado, mas nem vi estrelas, nem as quis ver. Não desisti, nem tampouco me vejo a fazê-lo. Orfeu fala-nos em coragem, mas quem sou eu para ter "medo de naufragar"?!
Sim, não esqueci cada sentimento que me prometi. O que cada conchinha pequena me disse antes ter sido destruída pelos dedos dos meus pés, aqueles que encolhem com a ansiedade... Cada lugar que vejo na minha memória refere filmes passados com cores que não são mais do que preto e branco, porque são passado. Não vivo no passado, nem viverei, porque no futuro também não me ficarei a desejar. Vivo agora. Sobrevivo à largada de sonhos em barcos que partiram e deixaram-me ficar. Não me foram capazes de dizer que poderia sonhar apenas um pouco mais.
Sonhadora por natureza, consegui evitar ser algo que apenas desencadeia coisas parecidas com Tears, ou com música ao entardecer... Porra! Só quero aquela pequena parte que me está reservada! Será que terei que esperar muito mais?! Quero tudo. Quero.
Meus lábios demonstram tristeza. Provam o frio de gelo sem cor, sem sabor. Aquilo que não quero para mim, já o sei há muito. São as pequenas coisas que me fazem aguentar.
A chuva chegou e a tempestade ajudou-me a largar os sótãos, os baús, as recodações, os poemas, as letras... a chuva lava-me de pensamento que não evito.
Querer querer, mas não me deixarem mais do que já quero....
Quebram-me, colam-me, mas eu não sou de quebrar, nem de colar.
É numa estrada destas, numa imagem destas que a penumbra assombra o meu caminho, indicando passos pelos pesadelos felizes que anseio em guardar, pois não passam de caminhos onde quero caminhar.
Quero caminhar em florestas assombradas e arrebatá-las junto a mim.
















