Agora nem nómada, nem emigrante.


sábado, fevereiro 22, 2014

Procura




Fui. (Finalmente.) Estava um dia soarengo de calor. Também noutra busca de outrora tinha saído com tempestade e, quando o procurei, apareceu um Sol radiante de maio que fora realmente solidário. Mas, isso já lá vai e para que não se fosse contigo, lá fui. Não sei bem ao certo como foi aquela viagem atribulada, por ruelas e vias conduzi... Imagens deturpadas me aparecem na mente, como todas as memórias que tentamos relembrar e que nunca foram bem definidas, como rostos, como o do outro! Mas, cheguei ao final daquela viagem com calor, procurei a pé, óculos e Sol e cabelo amarrado. Encontrei um vizinho teu que parecia criar galinhas, ou pelo menos devia ter umas duas ou três dado o estado explorado do terreno. O cheiro também o denunciava. Ele levantou os olhos do livro que lia por me ver ali, com curiosidade. Não me tinha visto por lá antes. Vero. Só daquela vez ali estive para te procurar. Meteu conversa comigo. Não sei o que disse. Tinha que estar atenta à tua casa. Poderias ter uma chaminé, eu não sabia se conseguiria confirmar que era ali que moravas. Desdobrei-me em cuidados com o velhote e ele percebeu-me, quase nem parei, segui cuidadosamente quando vi um carro chegar. Dois homens. Um mais velho, que tinha vindo a conduzir, saiu do caso sem pressa e sem se apressar, normalmente, como se nem viesses lá também. Deixei-me estar a aguardar tentando ver, com dúvidas, com medo, se serias tu. Tive medo de não me lembrar do teu rosto, de não te reconhecer. Isto tudo em segundos de intensidade. Eu sabia que tu nunca me reconhecerias e vivemos numa selva, por isso eu poderia ser qualquer uma a passar na rua. Disfarcei bem. Segundos depois do mais velho se dirigir à vivenda, com muita calma, segurando primeiro no tecto no carro para ter apoio, foste saindo. Logo pensei: se ele mancar, é ele. Tinha-te visto dentro do carro, olhei-te de soslaio, parecias tu, mas com os reflexos no vidro, ainda me causava mais estranheza e dúvida. Eu não podia olhar fixamente para não me denunciar. As lentes dos meus óculos estão a precisar de aumentar graduação, já não tenho a nitidez no olhar, a qual tive outrora e da qual tenho muitas saudades. À parte disso, esta última palavra da última frase dá-me tanto de ti, que nada tenho, sabes, não sabes?! Então, deixa-me contar o resto. Lentamente, saíste do carro e no teu novo vagar cambaleaste um pouco até teres encontrado posição no andar, manco, como eu sabia. Mais à frente, vi-te com uma muleta improvisada. Via-se mesmo que não a tinhas como tua, ainda. Não falámos. Não iria interferir.

Eli




quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Vozes




Pergunto-me, pergunto-te, "ainda ouves a minha voz no teu pensamento?" ou ficou um vazio no lugar que as minhas palavras ocupavam?! Será que esta dúvida continuará dias e dias sem conta já?! Não te vou contar que quando um dia a ansiedade apertava, um homem eu vi e eras tu. Sentado naquele banco, cabelos caídos, livro na mão. Eu sabia que eras. Essa imagem motrou-me sempre que poderias aparecer novamente. Era um dos teus sonhos confusos e delirantes que te trouxe. Imagino-me muitas vezes - demasiadas talvez - a escrever-te cartas, sem... sim, sabes, sem fim. Não entendo o porquê de eu ser assim, de lidar com a espera. Mas, eu mereço mais. Tu não sabes, mas eu conheço-te bem. Eu sei que o poço onde te escondeste é proporcional aos livros que leste. Enterraste-te nessa ideia que só me contatas quando e se. Coisa parva, coisa estúpida. Soltava agora uma caralhada, tu rias-te, surpreendias-te e ficávamos.

Eli

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Universo



«Uma estrela...»

Eli

sábado, fevereiro 08, 2014

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Transporte


Eu segui como se houvesse toda uma noite que me apoiasse. Ele olhava lá para fora e eu vislumbrava o seu rosto refletido no vidro que tomava forma de espelho. Luz das luzes, olhares trocados, ambos com bandas sonoras e imagens mentais que não as que estão no nosso alcance. Quais seriam os seus lamentos que os seus olhos transbordavam?! Haveria uma simpática menina, com lábios vermelhos e céus de prata!? Por que razão não falamos com todos os desconhecidos que têm cabelos a cair pela face!? Havia ali uma história que jamais chegarei a conhecer. Ao sair do comboio, toupeira para que me queres?! Fiquei presa com a mão no bolso e um pensamento mais arrepiante sobre notas de trocas passou-se. Entretanto, voltei a ser só eu, a banda nova que selecionei e que me lembra dos meus homens, pois serei sempre deles, segundo um passado que é um orgulho de tanta vivência. Ainda bem que existem momentos de inspiração que me faze seguir terra a terra e astros dentro dos cadernos. E, mesmo assim, és sempre tu, sempre tu que estás em mim.

Eli

Boa Noite, boas luzes...

terça-feira, janeiro 28, 2014

You




A culpa é tua. (Culpa esta tão ... que também tenho.) Não há sono em mim. Noites dadas à "insónia da coisa". Imagens circulam e, por mais que o tempo passe o sentimento é o mesmo, o pensamento mantem-se. Sabes lá o que é espreitar os nenúfares à espera que me devolvam aquele momento natalício. Sabes lá tu a literatura que circula por estas gavetas. Não sabes, saberás, mas gostrias de saber já. (Sorriso secreto.) Uma vez, a referência a um "You" que teria sorte ficou-me. Lembras... Passados tantos e tantos meses, quem diria que me ficarias assim. Ficaste mesmo. Ergue-te! É aquele grito que dás e o choro que não contiveres mais que te vai libertar dessa coisa grande que te levou para um estádio de inércia perante aquela que te sugava pouco, mas sim, numa gigantesca onda de positividade. Sabes, M., o vulcão aguarda-te como és. Quem diria que o invúlucro te destacaria de uma coisa qualquer chamada vida real, vida de antes e ainda me pergunto como é que um afastamento repentino foi permitido por ti. Onda de azar, sim, porra, mesmo mesmo merda. Entretanto, ouço uma ou outra música (muitas vezes) que ouvirias e terás que descobrir, porque a luta é trepar por este prédio acima, carago. Não, não quero que pares novamente em sítios de tormenta.

Beijo,
Eli

Sonhei que... #2

Se no seu sonho você conversava com uma pessoa conhecida que já morreu, é porque boas notícias devem chegar brevemente para você!

(Da mesma fonte do anterior.)



Boa Noite,
Eli

domingo, janeiro 26, 2014

Sonhei que tinha o cabelo branco







Se no seu sonho você estava com os seus cabelos brancos é um sinal de que você é uma pessoa que tem muitos sonhos, e são estes sonhos que irão fazer com que sua vida seja duradoura e muito emocionante. Você tem muito tempo pela frente, mas isso não é motivo para desperdiçar o tempo que tem, viva cada dia e aproveite cada momento de sua vida!

Retirado daqui

Exatamente,

Eli




sábado, janeiro 25, 2014

Snifos Futuristas

Seduzia-me sempre que passava... aquele cheiro a acabar de acender um terraço... perdão... cigarro... ou ...algo assim... Boa Tarde, Eli :)

Deixada


 
Pela primeira vez e finalmente me prostrei perante uma prova evidente de que teria mesmo um jeito nato para algo que fiz anteriormente. Não que já não soubesse, que sabia, mas não tinha deixado "cair a ficha". Se ele me deixou, então sigo em frente e a profisão que me quis, assim me teve. Mas, ai que doloroso este mas!... Hoje li uma história que tinha escrito aquando as minhas vivências de outrora e verifiquei que aqueles olhares infantis faziam mesmo parte de mim. Eu fazia algo bem! Fazia-o mesmo e nunca deveria ter sido obrigada a... a... (respirar fundo) a desistir sem desistir, a deixar sem deixar...

Eli

terça-feira, janeiro 21, 2014

«Então como foi?» (Jantar de Blogueiros e Amigos)

Hoje, segunda-feira, várias pessoas me fizeram esta pergunta, mas nada melhor que escrever, já que é para isso (também) que temos blogue!

Não é por nada, mas só posso dizer mal, porque andaram por aí a fazer publicidade e eu agora tenho de os demover, senão depois não cabem todos na próxima mesa redonda que promete fazer por nos ouvir...

Tive boleia do G. com a B. , que eu era para ir de metro, mas não me deixaram (com razão).

À chegada, tivemos logo que chegar (pela primeira vez) mais cedo, muiiito mais cedo. Ainda estranhei, chegar com o G. mais cedo?! Mas, enfim, mas, quando sugeri que ficássemos no carro a "fazer tempo" ele disse: "Vamos embora que está quase a começar o jogo do Sporting". Como detesto futebol (confesso), aquilo caiu-me logo mal e fiz portanto uma birra de cinco minutos para sair do carro! Bem, mas como (até) sou uma fixe, comecei a pensar que morria ali afogada com as lágrimas do G. que não paravam de salivar tal era a ânsia do seu prato principal (que não era comida)!

Enfim, agarrei-me um pouco à ideia que aquilo não se iria resumir ao futebol (nem sei com quem jogou com o Sporting, pois fiz questão de ficar de costas para a televisão).

À chegada ao restaurante, a primeira coisa que ele fez foi pedir logo para sintonizarem o canal... Enfim, eu já quase bufava, mas a B. sempre bem-disposta e amiga lá me acalmou os ânimos.

Seguidamente, chegou a K. que eu reconheci logo de uma foto de blogueira. Bem fixe ela, simpática e logo cúmplice com a S.! Não é para dizer mal (novamente), mas elas atracaram-se logo e eu já salivava por uma caipirinha prometida que me salvasse, entre aqueles dois pares (G. e Sporting e B. com K.). Foi então que pensei que o lugar à minha esquerda iria ser preenchido pela minha amiga S. que acabaria por chegar mais tarde, adivinhem mesmo mesmo pontual!

Antes dela ainda chegaram o A. e a A. que nos brindaram com a sua presença sempre agradável em todo o tipo de eventos onde tenho participado!

O A. ficou ao lado do G. participando de todo aquele envolvimento (olhos postos na TV e umas tantas quantas fatias de conversa).

Decidimo-nos pelo "buffet" em detrimento do "rodízio" e lá nos situámos à volta da mesa redonda todos bem-dispostos!

Já na hora da sobremesa, partilhámos palavras que só nós sabemos. Descobri que o A. escrevia poesia e ele acabou por sair do jantar também com um blogue criado mesmo lá na mesa. A A. confidencionou-nos o ínício da história de amor deles (e nós todos babados a ouvir). A V. que só chegou na hora da partilha das palavras (mesmo a tempo) contou-nos um pouco de si e da forma como descobriu o blogue o G.. A K. revelou um pouco mais de si e falou-nos dos seus "Breves". A B. levou lembranças feitas por ela alusivas ao blogue dela, que só ela mesmo. O G. também fez o trabalho de casa e eloquentemente leu-nos não só uma passagem do seu blogue como também de um outro o qual sugeriu leitura (a B. também sugeriu um outro blogue, mas como não sei se posso dizer qual é, não vou dizer, nhanhanha, fossem para saber!). A S. confessou-me que só lê o meu blogue e referenciou duas passagens em específico (ah, queriam saber, talvez eu conte em privado) bem como uma apreciação do aspeto geral do blogue. E eu?! Eu bem... resumindo disse que...




Retirado deste blogue.


Basicamente disse o que digo sempre sobre este blogue, que é uma "casa" para mim e que o melhor que me trouxe foram as pessoas que vieram até mim através dele.

Atenciosamente,

Eli Rodrigues


P.S. Se quiserem saber mais, cliquem no link blogue de onde retirei a imagem e a partir daí há todo um mundo onde podem clicar e onde não se diz tão mal quanto eu disse aqui! :D

«E para onde foram a seguir?»

A seguir, meus caros blogueiros ou não...

Bebidas doces (ou não) como as inconfidências! :P







sábado, janeiro 04, 2014

Jantar de Blogueiros e AMIGOS

Dia 18 de janeiro - sábado - em Lisboa.

(Às 20:00 h)

Se estiver interessado(a) numa noite animada com um toque cultural,  deixe mensagem ou envie-me um mail.

Quem tiver espírito que "aguente", contacte-me! :))

Eli

terça-feira, dezembro 24, 2013

Natal encantado?!





O meu coração está cheio, porque há muitos que me gostam como também eu gosto desses e de muitos outros. Descanso numa paz qualquer que me permite encaminhar-me perante um futuro de um brilhantismo curvante. Antes assim, antes que as músicas me tragam lembranças de sentimentos profundos e que os vivi, ah se vivi, carago!... Não tombo mais as mãos entre copiar e colar porque me vejo num emaranhado suave de alguém que é verdadeiramente espacial e, neste Natal, peço e espero dos que tenho além, um vislumbre de saciedade por parte desta tão grande vontade de ter o tal, que sabem bem quem é, porque podem passar dias a fio sem eu poder sequer ouvir a sua voz, basta uma pausa para ir mais além que ele me vem ao pensamento e o grande desejo que esteja bem, que me mande notícias... um suspiro e uma grande necessidade de escrever que tento ultrapassar para que não me torne demasiado óbvia. Que encanto me és.

Eli

Festas felizes para todos os que passarem por aqui e se encontrarem neste blogue.

:D

terça-feira, dezembro 10, 2013

Quadripolar


Querida (o) Quadripolar que está agora a ler esta mensagem e que me irá enviar um postal:

 Ao contrário do que possa parecer aqui, eu sou uma pessoa muito divertida e quiçá simpática... Só para não deixar no ar um ar depré, porque o blogue é apenas uma parte de nós...:D

Quanto ao resto, adivinhas! :)

Eli



sexta-feira, novembro 08, 2013

Broken



Ella desejava muito ser lida, por isso, no final do dia de aulas, num grande quadro negro, quase cinzento pelo tempo que não lhe perdoou a erosão, escrevia sobre os seus sentidos. Olhava em redor, primeiramente, numa busca demorada por uma inspiração que fingia vir-lhe de fora. Depois, soltava o grande vulcão em que diariamente vivia, reprimia e gemia de grutas ocas, como de um bramido chegasse. Escrevia textos quase longos, porque não se continha na sua necessidade de criar o que as letras lhe ditavam. Munia-se de uma burka negra e escrevia. Durante anos, o vento ia apagando o que a noite lhe tinha soletrado. Chegando de manhã à escola com soalho feito de terra e teto tatuando o céu, olhava a árvore quase seca onde o quadro estava pendurado e pensava como seria possível que todos os seus temores, gemidos e lamentos fossem sempre apagados sem obter qualquer resposta. Numa noite qualquer apercebeu-se que tinha sido lida:

«Peço desculpa por sujar o seu chão com as minhas botas enlameadas, mas tive que ficar um pouco contemplando as estrelas em seu quadro. Voltarei a sujar seu solo se assim me permitir.»

Ella corou quando leu. Quem seria aquele que lhe teria deixado uma mensagem?! Saberia quem seria a aluna que escrevera durante a noite no quadro da escola da aldeia naquela África tão profunda?! Ella ficou a pensar naquilo e de vez em quando recebia mensagens sempre com um toque de personagem. 

Começaram a crescer-lhe umas borboletas debaixo da burka, que de cada vez que chegava de manhã, buscava sempre uma resposta do tal desconhecido. Pensava ser um sábio, talvez um dos anciões da aldeia…

Durante um período, deixou de receber qualquer resposta aos seus textos pouco elaborados. Esqueceu a sua existência. Voltou a escrever palavras tristes sobre a vida que levava sempre ali tão longe e distante de todo o mundo que sonhava conhecer. Falou de saudade.

Num dia qualquer, chegando cedo à escola, onde já era professora, tendo sido a primeira a romper a manhã, vislumbrou alguém a afastar-se do quadro. Correu para ele e deparou-se com uma nova mensagem passados tantos meses. Ele sentia-se enternecido com as suas palavras de saudade e sentiu-as como suas.

Então, ela resolveu deixar-lhe uma resposta escrita em papiro, debaixo da raiz mais grossa da árvore. Ele teria que perceber através de uma mensagem codificada escrita no texto que teria então uma carta para ele.

Ella acordava sempre com uma grande ansiedade e sem sono algum, começando a ser sempre a primeira a chegar. Durante alguns meses trocavam assim correspondência sem nunca se encontrarem. Ela sabia que ele a via ao longe tapada pela burka, mas nunca sabia qual dos homens era aquele sábio que tão belas palavras desenhava, apesar de uma vez já o ter visto de costas a afastar-se.... 

O Homem terminava as missivas dizendo-lhe que o pensamento se prendia nela.

Numa noite qualquer, esgueirou-se da cama, calcou a calçada e viu-o a escrever um recado em cima do joelho. Cigarro no canto da boca, olhar concentrado, livro debaixo do braço. Arrepiou-se. Imaginava-o mais velho, a primeira impressão foi de choque mas no instante imediato encantou-se com aquele Homem, mal ele lhe sorriu.

Pé ante pé, devagar e com muito medo, Ella aproximou-se vestida com uma burka que tinha exatamente a cor dos olhos dele. A conversa demorou até amanhecer. Trocaram algumas confidências sem se comprometerem. Sentiam-se unidos pelas palavras faladas e escritas. Ao terceiro dia de longas conversas, ela receosa, mas corajosa, resolveu destapar-se.
Então, ele disse-lhe:

«Atrai-me a tua beleza interior, mas a exterior não.»

Ele desfez-se em desculpas e partiram-se ambos os corações.


Eli

quarta-feira, outubro 23, 2013

Coisas






Foram sonhos atordoados que atirei
Dos penhascos abaixo, minha árvore
Meu tronco, meu amor louco

E jazem entre paredes vazias
As memórias de poucas noites
Esvaziando as cordas do ser

Enlouquece poema meu, vasto
Sorri-me entre a barba uma vez
Só aquela que não tive para saber

Conhece-me entre a partida
O pedaço de céu e o erro
Desenterra o teu eufemismo

Entre sete ou outro número
Estabelece-me nua e mórbida
Sem limbo de segurança, sim

Transporta-me entre coisas
De dormir colado, não sei

Sabes tu?

Eli


terça-feira, outubro 22, 2013

Cidade






Ainda que eu soubesse que não valeria a pena escrever a branco, fui, acreditando, manhã fora, mas no meio de Energúmenos que não franziam o olhar com exatidão, encontrei-me sentada numa cadeira vermelha, onde perdia meia hora dada sem ser oferecida. Será que haverá ainda humanos por aí?! No final, haja quem ainda se lembram de me cortar o dia com exatidão para que a rotina se esvaia. Então, quis lembrar-me um pouco do sonho de uma noite de sexta entre o abismo de um beijo passado e uma dança com o homem que não quero meu. Estranho seria ficar parada à chuva, quando ela não me mostrou mais do que sons e palavras, toques e sumos de ser. E, por isso, fomos uma só, eu e a cidade. Então, ela mostrou-me que ninguém irá reparar em mim. Somos uma só, onde figuro só porque sim. Chego a casa, choro. Parto para o vazio, preenchendo-o com vasta atenção, vaga recuperação, até que tenho a prova que mesmo que não fale, algo terá mesmo que acontecer só para que não me chegue o dito, o cujo.

Eli

segunda-feira, outubro 07, 2013

Convite :)

Este blogue tem o prazer de vos convidar para a apresentação de "7 Pecados", onde Eli participa com um pequeno texto.

Sintam-se bem.

:)

sábado, setembro 28, 2013

Do sonho




Por um momento voltei a ser aquela romântica que era, ou melhor, que fui. Voltei-me para os filmes com finais felizes e idealizei um sonho de infância que acabei por nunca realizar completamente. E, mesmo que faça campanha pelo contrário, eu não quero mais do que aquilo que sempre quis. À parte da extrema necessidade de me sentir independente, de trabalhar, de precisar disto, tenho um pequeno vazio que se preenche com alguém que tome conta de mim. Platónicos à parte, por que razão a realidade não me assiste realmente?! Enfim... já passa. Mas, por vezes é uma coisa bem abafada lá no fundo. Só assim se permanece com um sorriso diário e verdadeiro. Se sonho?! Pois então, sonho, mas cada vez menos.

Eli

terça-feira, setembro 24, 2013

Misturas

Há sempre uma "ela para um ele interessante". Foi isto que vim cá dizer hoje. Eu já suspeitava. Nunca há um "eu". Bem, chega de aspas e de pronomes, que a "merda" é a mesma. Tudo é um costume generalizado e estúpido. Agora, estou para aqui escorregada. Empato-me entre casas a preços exorbitantes, burocracias incapazes e viagens de comboio, tantas que já me esqueci como era aquela ideia na névoa. Sinto tanto a falta daquele degredo de além que não me voltou a comentar o espaço, que não voltou a preencher-me de mensagens, que de facto eram cartas. Onde entrego os beijos que devo?! Misturo homens, ideias, seres, porque depois ainda me consigo surpreender. Eles têem-se em comum sem saber que eu sei que lhes pertenço. Sou mais do que o que mim acarreta, mas indefinida me sinto. E, quanto um terceiro se  quer encontrar, eu procurei perder-me. Foi por isso que não resultou. Nada resulta. E, à noite, sou só eu e a cidade, que alguém chamou de capital.

Eli

(Imagem de Eli.)

domingo, setembro 22, 2013

Secreto

Tu ainda não sabes, ninguém sabe, nem eu sequer quero ter essa informação, mas de vez enquando lá me apareces num pensamento qualquer. Inexplicável. És um silêncio a andar de mota enquanto uma guitarra lambe as asas de um sonho. És um negro saboroso, enquanto nos tornamos numa noite cúmplice. És beijo saboreado por entre torres e portões. És letra para a minha canção, enquanto brota a chuva de baixo para cima, como se quisesses ser cúmplice do rio. Obrigada pela partilha, por elas, que se tornaram com aquela naturalidade, que és tu.

(Em segredo.)

Eli

:)

sábado, setembro 21, 2013

sexta-feira, setembro 20, 2013

Pedras


E os seus movimentos quase me arrepiavam. Como tanto lento como saboroso era aquele estático de presença. Goataria de descontrolar por poder ter nas minhas mãos o cajado da não solidão. Um dom, uma presença, uma coisa qualquer que se fosse construir entre montanhas que edificam furacões. Saíste para chamar alguém e claro que não era eu. Não vale a pena apresentar um conjunto sem futuro. Melhor encarar o aglomerado sem esperança. Preciso de mais pedras para poder fazer o caminho em cima do rio.

Eli

O que estou a pensar

Estou a pensar que há quem se tenha ao egoísmo e tenha feito dele uma condição de vida. Está bem, necessitamos da sobrevivência, da independência, mas acima de tudo e mais do que a tolerância, precisamos de compreensão e respeito. E, por favor, não me façam de parva, porque eu considero-me uma pessoa inteligente com a capacidade de me auto-motivar, mas não aguento tudo, porque não quero!

Eli

domingo, setembro 01, 2013

Brevemente


E eis que um dia, uma noite para ser mais específica, se acende uma luz ao fundo do túnel. Aceitei pisar a minha estrada, o meu caminho sem parar sempre receando que não conseguisse mais encontrar um bem tão precioso que me dignifique. Não estava a pensar desmistificar, mas sendo este blogue tão lamechas que só fale de amor e outras porcarias do género, hoje falo de trabalho. Poucas vezes pude colher o que plantei por aí. Aliás, neste campo nunca ou quase nunca me valeu mais do que o próprio momento, que acabava num contrato, sempre que conluía uma substituição ou que terminava um ano letivo, eu ficava sempre na mesma dúvida: será que conseguirei obter novamente colocação?! Há um ano que estou desempregada. Há um ano que não sou colocada. Não me queixo assim tanto, porque passei este ano com um part-time em que desenvolvia atividades, as quais gostei muito, mas não passaram de umas míseras horas por semana que praticamente não me acordaram. Curiosamente, ironia do destino, hoje colho outros frutos. Um amigo lembrou-se de mim para fazer o mesmo trabalho que ele. Não tem nada a ver com a minha área, mas vendo bem a quantidade de CV (inúmeros que nem me atrevo a contá-los e apenas escrevo já a sigla, uma vez que é mais rápido)... que enviei por esse mundo fora candidatando-me às mais variadas ofertas de emprego. Enfim, hoje parece-me que finalmente posso ver uma luz e que esta estrada da incerteza me poderá dar umas tréguas amigáveis. Ele fez-me prometer que não desisto da minha vocação. No entanto, se posso ter outras capacidades, quem sabe se não consigo ter outra vocação também. Estou pronta para seguir em frente, mas receio que a capital me engula! 

Eli

:)

terça-feira, agosto 27, 2013

Compra

Num dia, cedo, como quem tarde, ela, cansada num cansaço sem lado físico, questiona ao vendedor:
- Tem romance?
- Quer de que tipo?
- Verdadeiro e agora.

sábado, agosto 17, 2013

Retornada


Parti naquela magrugada magoada com ele, quando esse destino já estava pensado não sendo obra do acaso, mas decisão minha de me afastar depois de ter passado aquelas horas todas numa frustração que ele admitiu. Volvidos vários anos, eis que se constroem situações e se destroem como se um gigante dissolvesse uma cidade em dois passos. Ficam sempre as ruínas que poderão ou não edificar-se em algo que não seja mera recordação. É difícil viver sempre numa sobra com sombras. Numa noite sou bestial e a minha arte persegue-me, mas ao acordar já não é bem assim. Deixa que se instale uma confusão, quando tudo é tão claro. Há demasiados pormenores que passaram a barreira do tempo e há um gostar de certas coisas que me aproximaram, mas repelida, fui-me embora como se o passado retornasse e voltei a sair mais uma vez da sua vida. Os anos passam e afinal ele não muda. Repudiou a minha escrita. Parece pouco, mas...

Eli

sábado, agosto 10, 2013

Missiva


Fico a pensar naquelas passagens que me fazem suspender a respiração, como se um suspiro fosse engolido para que conseguisse ler mais rápido. É como se fosse caminhando num trajeto de palavras, onde o acordo não tem voz, nem deixa de ter. São cumplicidades envoltas e perdidas como grãos de areia que se vão misturando com a água do mar num envolvimento que não se separa mais. É chegar todos os dias a casa, esperando que um abraço sentido nos abra a porta e se prometam mais beijos com aqueles que se dão. Por cada um, ficarão mais dois prometidos e assim sucessivamente para que nunca se acabaem.Quando se quer dar sempre beijos e ainda mais ansiar recebê-los, a continuação é perene. Que as palavras nunca se cessem, que me as escrevas sempre.

Eli

(Imagem de Eli)

sexta-feira, agosto 09, 2013

Flutuar






Apaguei o poema. Melhor eliminá-lo a azul, mas antes copiá-lo para um ficheiro qualquer. Poderás vir a perguntar-me por ele e quiçá rirmo-nos de tal disparate acróstico. Com a graça que deste às palavras desenhadas na areia, acabei por decifrar a mensagem que me tinha sido entregue em garrafas vazias. Ou assim quis que fosse, antes que a confiança acabasse. Antes assim, adultos. Entre música alta na tenda do vizinho e a insónia que me retardava o sonho, diverti-me a sonhar com aventuras e a viver num diário escrito, descrevendo o hilariante. Gosto quando o Sol me beija a pele, quando olho as dunas e vejo outro tipo de surf, onde as gaivotas dançam num voo qualificado. Embora lançar papagaios com os miúdos, para eles e como eles. Escreves-me mais e eu escrevo também, mesmo estando ao meu lado. Sorrio num sorriso secreto. Ninguém imagina porquê sem ousa imaginar que é o transbordar de um olhar que não é só meu. Ainda vês algo aqui? Ainda queres ficar?

Eli

(Imagem de Eli)

sexta-feira, agosto 02, 2013

Farsa



 
Ele estava ali tão perto e Elen não quis aproximar-se. Refugiou-se na atitude mesquinha que aprendeu com os homens.
Minutos antes, desceu até à areia, a chinelar. Não teve que dar muitos espaços até o reconhecer. Olhos postos no livro, sentado naquela cadeira, amortecendo a passagem dos dias.
Não foi como imaginava. Ela sempre pensara que ele deixasse as cadeiras de lado e se viesse deitar na areia. Interpretou, então, pela primeira vez na vida a farsa do medo. Deixou-se ficar a uma distância considerável, o que fez com ele não imaginasse que no meio dos transeuntes, encontrava-se ela, disfarçada com roupas coloridadas de praia, disfarçada de mais uma carregada de celulite, costas tortas e que é mais fácil ser-ser ignorada do que reparada.

Eli