Agora nem nómada, nem emigrante.


domingo, outubro 30, 2011

Modo de pausa

(Sem fonte de imagem)


Faço uma pausa. Paro sem me imobilizar. Detenho o meu pensamento a caminho de casa. Por um momento, eu não conduzo levemente, não vejo o silêncio. Já não estavas. É como se uma música tocasse sem parar e eu fizesse pausas fotográficas. Não consigo aquele dormir... Fui ficando... Estou...

Eli

:)

segunda-feira, outubro 17, 2011

Dinheiro

E se eu tiver um grande problema de dinheiro que não é meu? E se eu tiver que levar com os problemas dos outros, dos quais sempre fugi? E se não souber como resolver aquilo que é para mim uma incógnita tão grande? Ai... se eu tivesse dinheiro... tudo estaria resolvido. E o problema é meu. Não era, não foi, herdei-o.

Eli

sábado, outubro 15, 2011

Past


Imagem de Eli


Quem me mandou voltar ao passado?! Eu até sabia que deveria ter ficado quieta, mas tive que ir mexer. Não corro riscos. Afinal "mesmo que vá lá, nunca chegarás a saber" - disseste um dia... e... passado tanto tempo, quem não me lê, há-de saber algum dia fazer-me feliz?! Não. Não me importa quem não aceita a sua própria realidade, senão, como haveria de aceitar a de outra pessoa?! Sim, uso a retórica, porque não quero mais nada, mesmo mais nada entregue a estas palavras manhosas, esquecidas, proclamadas, proferidas, principalmente por mim. Ponto final.

Sim.

Eli

:)

quarta-feira, outubro 05, 2011

As mulheres com mais de 30 anos

Vou apresentar um texto que não é meu, mas poderia ser...

Para todas as mulheres com mais de 30 anos... e para aquelas que têm medo de entrar nos 30... e para os homens que têm medo das mulheres com mais de 30!



À medida que vou envelhecendo, valorizo cada vez mais as mulheres com mais de 30 anos, porque:



- Uma mulher com mais de 30 nunca te acordará a meio da noite para perguntar "Em que é que estás a pensar?". Ela não se importa com o que tu pensas.






- Se uma mulher com mais de 30 não quer ver o jogo de futebol, não se senta a teu lado a lamentar-se. Ela faz alguma coisa que queira fazer e, por vezes, é algo mais interessante.






- Uma mulher com mais de 30 conhece-se suficientemente bem a si própria para estar certa de quem é, o que quer e de quem o quer.






- Poucas mulheres com mais de 30 anos ligam alguma ao que tu possas estar a pensar sobre ela ou sobre o que ela está a fazer.






- As mulheres acima dos 30 têm dignidade. Raramente terão uma discussão aos gritos contigo na ópera ou no meio de um restaurante chique. No entanto, se tu mereceres, não hesitarão em dar-te um tiro.






- As mulheres mais velhas são generosas nos elogios, muitas vezes não merecidos. Elsa sabem o que é não ser apreciado.






- Uma mulher acima dos 30 tem segurança suficiente para te apresentar às amigas. Uma mulher mais nova acompanhada de um homem ignora frequentemente até a melhor amiga porque não confia no homem perto de outra mulher. Uma mulher com mais de 30 não se podia estar mais nas tintas se tu te vais sentir atraído pelas amigas dela, não porque confie em ti, mas porque sabe que elas não a trairão.






- As mulheres tornam-se psíquicas à medida que envelhecem. Nunca terás de confessar os teus pecados a uma mulher com mais de 30. Elas sabem sempre.






- Uma mulher com mais de 30 fica bem a usar um batom vermelho brilhante. O mesmo não se aplica às mulheres mais novas.






- Depois de ultrapassares uma ou outra ruga, vais ver que uma mulher com mais de 30 anos é de longe mais sexy do que qualquer outra colega mais nova.






- As mulheres mais velhas são correctas e honestas. Dizem-te imediatamente que és um idiota se te estiveres a comportar como tal.






- Sim, nós elogiamos a mulher com mais de 30 por várias razões. Infelizmente, não é recíproco. Por cada bela, inteligente, segura e sexy, mulher com mais de 30 anos, existe um careca, barrigudo, em calças amarelas a fazer figura de parvo com uma empregada de mesa de 22 anos!"






Da autoria de Andy Rooney- apresentador do programa da CBS "60 Minutes"
 
:)

quinta-feira, setembro 22, 2011

Anteontem...

Mudei-me.

:)

Eli

:)

domingo, setembro 11, 2011

Enfim...


Imagem de Eli

A ansiedade persegue o momento anterior à felicidade ou à infelicidade. Não sei qual delas é, nunca, porque não prevejo o futuro. Mas, como acredito nele, penso positivo. No entanto, grande parte das vezes, o desfecho não é aquele que sonhei. O medo transforma-se em nervosismo e vice-versa deixando inseguros os mais fortes! No entanto, a vida é uma escalagem, mesmo quando descansamos... e ela precisa de tempo, mesmo que ele, para mim, urja sempre, tal é a minha impulsividade despoletada pela intensidade, que anseio a cada passo.

Eli

quinta-feira, setembro 08, 2011

Três relógios



O tempo traz sarilhos, coisas que temos medo de desvendar.

Traz também aquilo que ousámos duvidar.

Eu espero, sim, mas não é por muito tempo. O tempo que espero deverá estar relacionado com a validade. Sim, tudo tem prazo de validade... Uma vez não renovado, não será recompensado...

Tempo, oh tempo... que estás sempre presente na minha vida, ora fugidio, ora...


Eli

quarta-feira, setembro 07, 2011

segunda-feira, setembro 05, 2011

Areia molhada

Imagem de Eli

Lembro-me de caminhar por ali, sozinha, numa areia quase húmida, deixada por todos aqueles que só se lembram do mar no Verão. Recordo aquele dia, numa precisa tarde que passei comigo há quase há um ano. Agora, relembro um mar de saudade que me abre as portas do sonho.

:)


domingo, setembro 04, 2011

Mar

Imagem de Eli


Que bom quando ainda posso sonhar com um sorriso numa praia, um passeio sem objectivo, uma história por descobrir e rever ao mesmo tempo aquelas pegadas na areia, que dei, fortes e seguras. Parece pouco, parece um nada, ou até mesmo um vazio, mas um sorriso dará lugar a uma face com lábios sérios. Eu sei. Eu sinto.

:)

sábado, setembro 03, 2011

Luz



Às vezes sinto-me assim. Como se fosse uma estrela cheia de luz que teima em ultrapassar todos os obstáculos, dissipar cada nuvem que acontece na minha vida, para depois poder vislumbrar o mar e sentir uma paz acordada com felicidade interior.

:)

sexta-feira, setembro 02, 2011

Fim anunciado

Desta vez não restam dúvidas, não me vou pôr a congitar os "não sei" repetidos numa situação de dilema coração versus razão. Não vale a pena e não estou disposta. Hoje coloquei um ponto final, um fim já previso por mim... Terminou. Sinto que fazer as malas já mostravam um regresso ao de sempre, um costume, uma coisa que está eminente por mais passos que dê em frente. É eminente um estado de pureza desconcertante. Em frente, por favor, em frente. Não vou andar mais para o lado ou ficar à espera.

Eli

terça-feira, agosto 30, 2011

Lados


Imagem de Eli


 
Escassos os momentos, escassa esta sede tão clara que brilha na sua transparência. Gota após gota entornaram-se mais uns tantos capítulos de uma história que parece sempre a mesma, mesmo quando as personagens mudam. Teimosia de ressurreição, não me adianto em sentimentos tardios, mas penetro numa fuga sem fim, em que me trago apenas a mim, pois quando olhei para o lado, encontrei apenas o meu reflexo sonhado, talvez, disse-mo há tanto tempo. E atrás de mim, um par de pegadas grandes, leves, calcadas, minhas, porque não parei. Andei sempre. Tu não pretendes entender analogias, metáforas tampouco se as conseguisse escrever, porque não é esse o teu querer.

Eli


Participação na Fábrica das Letras

Tema de Agosto: Fugir

sábado, agosto 20, 2011

Olhei para cima

Um momento para ser bom, tem que continuar a existir, senão perde presença.
O encanto deleita-se ao som de uma música... quantas e quantas vezes repetida. O entusiasmo? Deixaste-o lá atrás. Pensas agora que ele não faz parte de ti. Transformei-me numa sisma repentina e constante, aguardando eternamente.

Eli

quarta-feira, julho 13, 2011

Monstros



Imagem de Eli



 Não me dês menos que tudo.

Eli


sexta-feira, julho 01, 2011

Estou a sorrir, porque gosto de mim, da minha vida, de tudo o que conquistei, piscando o olho ao que está para vir!

;)
E se nunca chegar a minha vez?...

quarta-feira, junho 15, 2011

Tiques

Eles apanham os meus tiques à velocidade da luz!

É aterrador! É supreendente! É hilariante!

:))

Eli

domingo, junho 12, 2011

Feitiço


Gostaria que aquela feiticeira nos devolvesse o tal encanto. Fechas a ternura em ti e vislumbro uma pedra lapidada, mas tão pouco feliz, tão pouco entusiasmada, que, quando consigo detectar o brilho nos teus olhos, agarro-me a ele e não o quero perder mais. Em tempos, sentiste-te enfitiçado, sei-o bem. Li-o. Quero mais.

quinta-feira, junho 09, 2011

Porquês



Às vezes penso que é por pensar demais, mas logo depois penso melhor e vejo que tenho respostas nas minhas próprias pisadas... a minha vida é uma resposta. Como poderia eu seguir outro trajecto, se este é o meu?!

Não sou feliz.
Quem se importa com isso?!

(Eu. Só eu.)

Nunca deixei de ser eu.
Importam-se apenas que esteja bem.

Bem não chega.

domingo, junho 05, 2011

Reflexões abstratas



Faço reflexões sem conta, que não escrevo, que não digo. Voltei àquele tempo em que pensava demais e sei que isso não me faz bem, mas não consigo evitá-lo... mas não consigo escrevê-lo como dantes. Há uma pausa espiritual e a pragmática que pouco divulgo, acentua-se. Na hora exacta, que o tempo trará, conseguirei a abertura que tanto pretendo... penso eu.

Eli

:)

domingo, maio 29, 2011

Grito




Às vezes apetece-me gritar! Dar um grito, sim! Mas, depois logo penso que ele deveria sair surdo, porque até quero que ele não se ouça. Se digo isto é porque, se quisesse que se ouvisse, talvez o desse mesmo e até com um megafone. O problema é meu. Aliás, é sempre meu se não o resolvi, continuo a tê-lo. Às vezes, os problemas e as soluções caminham de mãos dadas e o problema é esse. Se me desvio do problema, desvio-me da solução. Ainda não sei como conviver com ele.

Eli

sábado, maio 28, 2011

Palavras


Eu só precisava delas. Nem sequer eram as certas, nem as tais, mas as tentativas, porque iríamos lá chegar depois. Não entendo tantas coisas. Como posso sentir coisas tão antagónicas?! Ora sou um deserto, areia, pó, ora terra fértil, abundante am água... Às vezes parece que não me deixas ser eu, outras vezes não deixas mesmo. Parece que o círculo começa e acaba em ti. Não sou uma linha fechada. Desconheces-me. Sinto falta de ti. Esqueceste-te de nós.

Eli

quinta-feira, maio 19, 2011

Ela



Ela escondia-se. Malvada. Fazia previsões. Escusada. Assim, sem saber como reagir, como agir, como iluminar... continuou, errante nos seus passos. Apenas uma menina, esta menina... sendo uma crescida escondida nas palavras, uma mulher lutadora forjando a fragilidade. Parou. Por momentos, soube o que não queria. Parou outra vez. Imaginou o filme dos dias e ficou-se. Em cada esquina, um amigo atrás de comunicações pessoais, sociais... deleitando-se com a paz de um momento regado de amor.

Eli

:)

quarta-feira, maio 18, 2011

Pós

Numa noite imprevista, aquela folha que o calendário não escolheu e o amor não agendou, o frio não guardou o gelo e não gelou nem enfraqueceu o alimento. Numa onda de inquietude, som brando ao longe. Caminhava eu nem formosa, nem segura, apenas me dirigia sem dadas, nem palavras. Ia. Num mundo inacabado, a protecção, a previsão, a amabilidade sorriu-me. Um homem foi pedir boleia num sonho quase cruel, numa noite de tempestade. Bruxa da manhã, luz sombria. Não vás, não vás.

Eli

domingo, maio 08, 2011

PEC (Dia 14 de Maio pelas 20 horas)

...à semelhança de Encontros de Blogueiros e Amigos, vamos juntar o pessoal que quiser aparecer para comida ("bobida") e boa disposição...



Retirado do blogue do Gonçalo:

«Este é um blog que pretendo que seja bastante reflexivo, acompanhado sempre que possivel de alguma componente cultural...espero que gostem e que partilhem as vossas experiências sempre que possivel(...)

O local está escolhido e será no Restaurante "Buraco" em Aveiro, próximo à famosa Praça do Peixe e bem perto da Capela de São Gonçalinho.


A morada é a seguinte:
Rua dos Marnotos, 31-33
Localidade: Vera Cruz, Aveiro
Código Postal: 3800-220

T: 964052528

Com a ajuda inestimável da minha amiga Celisol, e também assistente logística deste evento, estamos em condições de colocar à disposição a seguinte informação à vossa consideração:

"Dos quatro pratos a seguir indicados podemos escolher dois:

Bacalhau com natas;

Arroz de pato;

Carne de Porco à Alentejana;

Grelhada mista

O preço é 11 € por pessoa e inclui:

-entradas: pão, manteiga, azeitonas e queijo

-prato

-1 garrafa de vinho para cada duas pessoas, ou em alternativa sangria ou sumos

-café."



As inscrições para o jantar estão abertas até dia 11 de Maio e devem ser feitas para o e-mail goncalofoc@gmail.com, com as seguintes informações: nome, respectivo contacto telefónico, número de acompanhantes e menu seleccionado.
 
Contra a crise, atrevam-se a sair do "Buraco"...»
 
 
Eu vou. E tu?
 
Eli

quarta-feira, abril 27, 2011

Cultos

- Oh, professora, por que é que os homens lêem o jornal?

- Para ficarem cultos.

(Eli)

:P

sábado, abril 23, 2011

Longe


Às vezes tenho a sensação que não posso ser feliz durante muito tempo. Há-de haver alguma coisa que faz com que o factor sorte se distancie. Não, não sou uma vítima. Pelo contrário. Sou uma mulher lutadora, que comete erros, que gosta de falar sobre eles para que sejam superados. Reconheço o valor do outro e admiro-o. Na verdade, a minha admiração pelo outro tem muito a ver com a sua vida e pouco a ver comigo. Gosto de pessoas que vivam a sua vida e que se saibam superar a si mesmas, não se ficando tacanhas à espera que a vida lhes aconteça sem fazer nada por isso. Quem me conhece bem, sabe das minhas lutas e do meu prazer na comunicação. Porém, poucos que privam comigo lêem o que escrevo. Às vezes, penso que quando estou a falar disso, esperam que eu acabe, porque é um mundo à parte, por isso acabo por evitar o assunto. Este é extremamente importante para mim, porque as palavras saciam-me e fazem-me bem, tão bem. Por isso é que valorizo todas elas, inclusive as minhas, onde deixo que a minha alma transpareça, embora deixe o mistério presente, tal inevitável para mim. Tenho a sensação que estou sempre longe. Parece que a separação entre mim e os meus é algo inevitável e quase desejável para que tudo corra bem. Gosto muito de sentir que reuno em meios de comunicação (internet e telemóvel) alguns contactos fulcrais. Ou seja, mesmo que seja a tal nómada assumida, também tenho alma de eremita. Estou tão bem entre as pessoas, como depois me resigno àquela solidão que acaba por ser necessária. O longe permanece sempre para os que querem que permaneça. Mesmo quando estava nos Açores, eu sentia-me próxima de algumas pessoas com quem falava (quase) diariamente, numa companhia cúmplice que até hoje mantenho. Como tal, todos os que fui conhecendo ao longo do tempo em que vivo têm ainda um papel fulcral. Quando eles querem ir "embora", às vezes pergunto-lhes porquê e aceito as suas decisões, porque posso querer estar perto de todos, mas não devo, nem é possível e aceito a condição de todos aqueles de quem gosto, pois meu coração é imensamente grande. Eu deixo-os ir. Só volta quem realmente quer. Acima de tudo gosto de ser bem tratada. Sei que todos gostam, mas a pior coisa que pode acontecer é alguém de quem goste se zangar comigo. Fico muito triste. Um distanciamento lógico de um amigo é aceitável, mas um afastamento de quem gosto sem razões, sem explicações faz-me reflectir sem parar. Parece que não descanso bem. Um dia, um amigo muito importante para mim (ainda hoje o é) chateou-se comigo e disse-me porquê. Ele tinha razão, eu tinha feito uma coisa que não devia. Na altura não tive consciência, mas quando ele me disse, eu aceitei, pois tinha razão. Pedi-lhe desculpa e nunca mais o voltei a fazer. Já passaram anos e ainda me lembro disso. A sensação foi horrível. Gosto de falar e esclarecer as coisas. O meu amigo perdoou-me. No entanto, enquanto não o fez, andei mesmo em baixo. Eu sou assim e lido com o Longe desta maneira. Tudo depende, é certo, mas quanto mais gosto das pessoas mais as procuro e gosto do tal feedback.

Eli

sexta-feira, abril 22, 2011

Procuro


Desceu a noite, meu amor, desceu
Tacteando, procurei um beijo teu
Que faríamos nosso, uma vez mais

Desceu a noite, meu amor, desceu
Subiu o dia, escondido num bréu
Prometeste o beco entre mãos fatais

(...)

Eli

quinta-feira, abril 21, 2011

Segunda Maldição


Seu corpo adormeceu eternamente, mas sua alma bebeu da lama e renasceu, tal Fénix fosse se assim existisse. O seu cavalo preto ganhou luz e brilho. Passou a vaguear o mundo à procura da maldição. Logo depois se apercebera que a maldição teria sido morrer sem conhecer o amor, aquele bravio que agora via em tons escarlate a vaguear nos corações humanos. Descobrira gentes porcas a fazer amor com a alma e gentes limpas a consporcar o nome do Amor. Afinal, aqueles que o faziam, sentiam-no, tal era o tom da cor.
Aquele homem, outrora menino, com mãos de anjo e lábios de veneno, procurava renascer, reencarnar, mas não conseguia.

Certa noite, vagueava entre os incensos de uma Páscoa anunciada e umas rezas malditas entre sussurros labiais... Repetiam-se nomes. O Norte, de súbito, baixou e o Sul esquecido ficou. Sentiu-se repelido das orações e ajoelhou-se. Prostrado, proclamou-se e penetrou nas entranhas de uma mulher. Logo depois, sentiu uma enorme dor. Era do nascimento. Nasceu de novo. Quando abriu os olhos, o tom escarlate estava por toda a parte. Nunca saberia distinguir os falsos dos verdadeiros, mas tinha um corpo. Tinha vivido séculos em assombração.

Eli

quarta-feira, abril 20, 2011

Maldição



Era uma vez um menino. Era maldito. Nasceu assim. Cresceu assim, como que assombrado por uma informação que lhe foram passando dia após dia, década após década. Nunca fora adorado, nunca desejado, nunca sequer maltratado, não fossem os deuses descerem à terra e vingarem-se. Por detrás de um olhar escuro, escondia-se uma sombra sombria. Sua mãe esquecera-o logo no berço, ainda amamentava e já o leite lhe escorria pelos seios, tal era a falta de amor que lhe transbordava... aqui nem era água, seria uma mescla esbranquiçada.

-Mas, por que não o alimentas.
-Meu alimento não o sacia.

Os negros olhos da criança foram perdendo o brilho e cresceu pelos montes, olhando de soslaio os humanos. Sentia-se um cavalo. Era livre como eles.

Sua famíla de gentes abastadas de pobreza de espírito deixava um caldo e um naco de pão à porta dos estábulos... não... eram currais mesmo.

Foi mandado para a escola. Aprendeu a ler e só aí descobriu que nem todos eram como ele. Estranhamente se sentiu especial. Tinha qualquer coisa que os outros não tinham.

Um dia, chegou à escola montado num cavalo bravo e todos lhe fugiram. A fama de tolo ganhou finalmente proporções maiores. Então, fugiu. Escapar a toda aquela merda foi um toque de desolação por não terem mais quem lhes limpasse o esterco, mas também um alívio-

- Que leve a maldição com ele.
- Qual maldição?
- Não sei.

O padre tinha dito que aquela marca no pescoço era do demónio. Havia uma lenda. Quem assim nascesse traria décadas de horror à sua terra. Porém, que se tinha livrado da porcaria, com quinze anos mal feitos foi aquele pobre rapaz.

Fez-se soldado quando encontro outros pelo caminho. A sua destreza em dominar cavalos selvagens trouxe-lhes uma grande fonte de rendimento. Nunca tinham visto a sua marca. Estava tapada pelos longos cabelos, que assim como a barba, foram crescendo dia após dia. Cortava as pontas com a sua velha navalha.

Certo dia, estava a dormitar junto ao rio, com o chapéu a tapar-lhe a cara, quando ouviu um barulho.

O som de um tiro e logo a seguir a morte. O falecimento...

Eli



Este espaço começou com o lugar dos seguidores "há pouco tempo" e conta com cem. A quantidade não é significativa. A a maioria dos que vêm cá ler mais vezes não é seguidora e nem deixa comentário, mas vivo bem com isso, porque a aceitação faz parte da minha condição.

Porém, não posso deixar de agradecer ternamente aos que comentam, muitas vezes sem eu merecer.

Seis anos de blogue. Esta é a minha casa mais duradoura, mais minha e a que me conhece mais intimamente. Sintam-se convidados a partilhá-la. Há várias divisões, imaginárias, mas nunca deixando de ser eu que as descreve, assim como o que se lá passa...

O amor acontece.